Apesar de aceno de Bivar a Lula, maioria da bancada eleita do União Brasil apoiou Bolsonaro

Enquanto o presidente do União Brasil, deputado federal Luciano Bivar (PE), declarou nesta quinta-feira que o partido "pode integrar a base" do futuro governo Lula (PT), a composição da bancada eleita pelo partido à Câmara sugere dificuldades para este alinhamento. Dos 59 deputados federais eleitos pela sigla de Bivar, mais da metade, 30, declararam apoio à reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno, de acordo com levantamento do GLOBO em redes sociais e posicionamentos públicos desses parlamentares.

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Apenas uma integrante da bancada eleita do União Brasil, a deputada federal Daniela do Waguinho (RJ), fez campanha para Lula no segundo turno. A parlamentar, que tem base eleitoral na Baixada Fluminense, é casada com o prefeito de Belford Roxo, Waguinho (União), que declarou apoio ao petista após recuar de uma aliança com Bolsonaro.

Já os outros 28 deputados federais da bancada eleita do União Brasil, incluindo o próprio Bivar, não se posicionaram no segundo turno. Mesmo que todo este grupo siga o posicionamento do presidente da legenda e embarque na base do governo, será necessária uma guinada do restante da bancada, que manifestou apoio a Bolsonaro no embate direto contra Lula, para garantir que a bancada parlamentar do União esteja majoritariamente alinhada ao petista.

Em 2019, a bancada do então PSL, presidido por Bivar, rachou entre uma ala "bivarista" e um grupo "bolsonarista", que acabaria majoritariamente migrando no ano passado para o PL, partido escolhido por Bolsonaro para disputar a reeleição. À época, o pano de fundo para a divisão ao meio da bancada do PSL, a maior da Câmara naquele momento, foi uma queda de braço pelo acesso a recursos do fundo partidário.

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Nesta quinta, Bivar afirmou em entrevista ao GLOBO que considera haver "uma dívida com a esquerda", referindo-se ao fato de o PT ter encabeçado a oposição vitoriosa a Bolsonaro. A reeleição de Bivar à Câmara, após sua desistência de concorrer à Presidência, ocorreu em meio a articulações com o PT em Pernambuco. No segundo turno, Bivar adotou uma postura de neutralidade mesmo diante do apoio da maioria das lideranças do partido a Bolsonaro e do anúncio de uma fusão com o PP, partido do presidente da Câmara, Arthur Lira (AL). Bivar almeja disputar a presidência da Casa em 2023.

-- Temos cerca de 40% de deputados de nossa bancada que são novos, então precisamos conversar um a um para saber quais são os interesses. O que eu posso te dizer é o seguinte. Nós não seremos oposição ao governo. Mas somos independentes. Podemos integrar a base, sim. Estamos sempre dispostos - declarou Bivar ao GLOBO.

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A lista de deputados eleitos pelo União Brasil que pediram voto em Bolsonaro inclui correligionários de Bivar reeleitos por Pernambuco, como Mendonça Filho e Fernando Coelho Filho. Alguns dos novos nomes da bancada também se posicionaram, inclusive após a vitória de Lula, defendendo que o partido fique na oposição.

-- Num passado recente, eles (PT) governaram o Brasil e criaram o mensalão e o petrolão, fatos que envergonharam o Brasil perante o mundo. Agora o trabalho será redobrado. Vamos fazer uma oposição vigorosa e altiva -- afirmou, nesta quinta-feira, o deputado eleito Alfredo Gaspar de Mendonça (União-AL), ex-aliado da família Calheiros que passou para o lado de Lira nesta eleição.

Outro que se posicionou de forma crítica a Lula foi o deputado eleito Fausto Jr. (União-AM), adversário político no Amazonas do senador Omar Aziz (PSD), um dos principais aliados do petista no estado. O parlamentar, que pediu votos em Bolsonaro, afirmou na quarta-feira que os deputados e senadores eleitos com apoio do presidente representam hoje "a maioria do Congresso".

-- Serão anos de luta, mas também com muita fé de que iremos restabelecer um governo do qual sentiremos orgulho daqui a quatro anos - disse Fausto.

Dos cinco senadores eleitos pelo União Brasil, quatro -- Sergio Moro (PR), Efraim Filho (PB), Alan Rick (AC) e Professora Dorinha (TO) -- apoiaram Bolsonaro no segundo turno, enquanto Davi Alcolumbre, reeleito no Amapá, não se posicionou. O apoio a Bolsonaro também é maioria entre os quatro governadores eleitos pela sigla. Wilson Lima, do Amazonas, Mauro Mendes, do Mato Grosso, e Marcos Rocha, de Rondônia, declararam voto no atual presidente ainda no primeiro turno, enquanto Ronaldo Caiado, de Goiás, apoiou Bolsonaro no segundo turno.

Outros nomes do União Brasil que perderam disputas para governador, como ACM Neto, na Bahia, e Capitão Wagner, no Ceará, fazem oposição ao PT em seus estados.