Apesar de alertas de violência, Polícia do Capitólio foi instruída a não usar táticas agressivas contra invasores

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia do Capitólio recebeu alertas sobre uma situação de potencial violência para 6 de janeiro, incluindo o Congresso como possível alvo, mas medidas de segurança adequadas não foram tomadas. As ameaças também não foram repassadas aos agentes de segurança do órgão. A informação foi divulgada pelo New York Times, nesta terça-feira (13), que teve acesso a um novo relatório do investigador interno da Polícia do Capitólio. A Unidade de Perturbação Civil do órgão, especializada em lidar com grandes grupos de manifestantes, foi ainda instruída a não usar suas táticas mais agressivas para conter os apoiadores do então presidente Donald Trump. No dia de 6 janeiro, uma multidão invadiu o Congresso, paralisou a certificação da vitória eleitoral de Joe Biden e causou a morte de cinco pessoas. Além de um policial, uma manifestante foi morta dentro do prédio do Congresso depois de ser baleada por um agente da Polícia do Capitólio e houve outras três vítimas fatais (dois homens e uma mulher) registradas nos arredores do Congresso. Segundo a polícia, essas mortes decorreram de "emergências médicas". Em um documento de 104 páginas, segundo o NYT, o inspetor geral, Michael Bolton, criticou a maneira como o órgão se preparou e respondeu à violência dos manifestantes. Segundo Bolton, apesar dos avisos de que grupos extremistas poderiam ser uma ameaça, a polícia não se preparou adequadamente. A Unidade de Perturbação Civil da agência, especializada em lidar com grandes grupos de manifestantes, não foi autorizada a usar algumas ferramentas de controle de multidão, como bombas de efeito moral, por ordem de supervisores. Três dias antes da invasão, uma avaliação da inteligência da Polícia do Capitólio alertou sobre a violência de apoiadores de Trump, e que alguns deles até publicaram em fóruns um mapa do sistema de túneis do complexo do Capitólio. Ainda assim, segundo o relatório, na véspera do ataque, a agência escreveu um plano de proteção afirmando que "não havia ameaças específicas conhecidas relacionadas à sessão conjunta do Congresso". O agora ex-chefe da Polícia do Capitólio, Steven Sund, que renunciou após o ataque, disse que a violência era improvável. Na quinta-feira (15), Bolton vai prestar depoimento sobre o relatório em uma audiência conjunta dos comitês de Segurança Nacional e Assuntos Governamentais e de Regras e Administração, que investigam falhas de segurança relacionadas ao ataque. Ainda em janeiro, a chefe interina da polícia do Capitólio, Yogananda Pittman, pediu desculpas ao Congresso pelos erros em 6 de janeiro. Ela não era chefe na época e assumiu quando Sund renunciou. Em uma sessão no Congresso, Pittman reconheceu que o departamento sabia que havia um "forte potencial de violência", mas falhou em tomar as medidas adequadas. As autoridades reconheceram uma série de erros que incluem preparação inadequada, falhas de inteligência e o atraso em pedir reforço para a Guarda Nacional.