Apesar de apoios a Lula, Bolsonaro manteve domínio na Baixada Fluminense

Para reverter o cenário negativo do primeiro turno na Baixada Fluminense, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) traçou estratégia que incluía agendas e novas alianças, como as de Waguinho (União) e Áureo Ribeiro (Solidariedade). Mas o esforço não foi suficiente: no segundo turno, Jair Bolsonaro cresceu nos principais municípios da região, e consolidou sua larga vantagem entre os fluminenses.

Mapa: a votação de Lula e Bolsonaro no estado do Rio

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A vantagem de Bolsonaro sobre Lula aumentou nos três municípios mais populosos da Baixada. Em Duque de Caxias, por exemplo, o petista foi de 202 mil votos (40,1%) no primeiro turno, para 213,9 mil (41,69%) no segundo — um crescimento de pouco mais de 11,8 mil votos. O desempenho entre os caxienses foi um dos melhores de Lula na região, embora não tenha sido suficiente para virar o jogo.

Bolsonaro, que dominava e tinha 53,18% dos votos no segundo maior colégio eleitoral do Rio, foi a 58,31% e ganhou mais 31,2 mil votos. Em favor de Bolsonaro, pesou o apoio do ex-prefeito Washington Reis (MDB) e de sua família, que comanda a cidade e têm grande influência na região.

A distância também só aumentou no município de Nova Iguaçu. Bolsonaro herdou 27,9 mil novos eleitores e teve 62,97% dos votos válidos no segundo maior colégio eleitoral da Baixada. A cidade é governada por Rogerio Lisboa (PP), que chegou a flertar com Lula mas escolheu o atual presidente. Lá, o petista ganhou somente 6,7 mil votos e viu a vantagem de seu adversário aumentar ainda mais.

Para reverter o domínio bolsonarista no estado, a principal esperança do PT era o apoio costurado com o ex-prefeito de Belford Roxo, Waguinho. Também com grande influência na região, ele ajudou sua mulher, Daniela (União), a se eleger a deputada federal mais votada do estado, e empilhou carreatas em favor de Lula durante a campanha para o segundo turno. Ainda assim, Bolsonaro venceu e teve 62,97% do eleitorado da cidade ao seu lado, com cerca de 291,9 mil votos. Lula, por sua vez, teve 4,7 mil votos a mais e não atingiu sequer a votação do presidente no primeiro turno. O petista foi votado por 171,6 mil pessoas.

O cenário se repetiu nos outros dez municípios da região, como São João de Meriti, Magé e Itaboraí. Bolsonaro venceu em toda a Baixada, e a abstenção nas cidades da região pouco variou, apesar das investidas da campanha de Lula e de aliados como o deputado federal Áureo Ribeiro (Solidariedade), caxiense e evangélico, que era visto como trunfo para reduzir a vantagem contra o atual presidente.

O melhor desempenho do petista foi em Japeri, um dos poucos municípios da região comandado por um partido mais à esquerda, o PDT. Apesar de a prefeita Fernanda Ontiveros não ter feito campanha pesada em favor de Lula, o petista teve 41,70% dos votos, o que corresponde a 23,3 mil eleitores. Bolsonaro, por sua vez, conquistou 58,3% do eleitorado local.