Apesar da crise hídrica, Geraldo Alckmin será homenageado por trabalho à frente da Sabesp

Represa de Atibainha, em Nazaré Paulista, interior de São Paulo. (Agência Estado)

No ano em que o Estado de São Paulo enfrenta a sua pior crise de abastecimento de água, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) será homenageado pela Comissão de Desenvolvimento da Câmara dos Deputados (CDU) por seu trabalho à frente da Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) e da Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado.

Alckmin receberá o Prêmio Lúcio Costa de Mobilidade, Saneamento e Habitação 2015. De acordo com o site oficial da Câmara, ele foi indicado pelo deputado João Paulo Papa (PSDB-SP). Segundo Papa, “o governador lidera um processo de gestão e de implementação de políticas públicas nas áreas de saneamento e de recursos hídricos que fazem do Estado de São Paulo o Estado da Federação mais próximo ao alcance da meta do país de universalização dos serviços de saneamento básico.”

Por um lado, a gestão Alckmin alega estar entregando uma série de obras que reduzem o uso da água de sistemas que estão a ponto de secar, como o Cantareira, que está com 12,6% do chamado volume morto da reserva. Esta semana, por exemplo, foi anunciada uma nova tubulação que fará a região da Paulista deixar de usar água desse complexo, e sim do sistema Guarapiranga, que por sua vez opera com 78% de sua capacidade.

Alckmin garantiu que não haveria racionamento em SP. (Agência Estado)

Entretanto, alguns especialistas apontam a administração tucana como culpada pelo cenário atual. Um artigo publicado por cientistas brasileiros do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) diz que foi um problema de gestão, “que negligenciou aspectos fundamentais do funcionamento de bacias hidrográficas”. A mesma opinião é partilhada pela jornalista e blogueira do Yahoo, Laura Capriglione: “Culpou-se São Pedro e o clima, que não podem se defender.”

Outro ponto é o fato de que, desde o fim de 2014, moradores de áreas mais afastadas da Grande São Paulo têm relatado falta de água em suas casas, muitas vezes em períodos de até 72 horas, enquanto a crise só foi oficializada pelo Governo do Estado no mês passado. Durante as eleições, Alckmin garantiu à população em rede nacional que não faltaria água em São Paulo.

Relatório do Tribunal de Contas de SP (TCE), divulgado em agosto, concluiu que o colapso hídrico “é resultado da falta de planejamento das ações da Secrataria de Saneamento e Recursos Hídricos” da gestão PSDB, que teria conhecimendo das previsões e medidas para se preparar para a escassez de chuvas desde 2004.

Em meio, presidente da Sabesp admitiu que a situação é bastante crítica. (Reprodução)

Além de Alckmin, os também tucanos José Serra, Alberto Goldman e Claudio Lembo passaram pelo Governo do Estado nesse período. Para o TCE, outras medidas poderiam ter sido tomadas anteriormente para que a situação não chegasse ao ponto em que se encontra atualmente, “ou pelo menos para que seus efeitos fossem minimizados”.

Entre as medidas apontadas pelo órgão, a despoluição do Rio Tietê, do Rio Pinheiros e da Represa Billings. A primeira e mais conhecida delas começou com o Projeto Tietê, em 1992, na gestão Luiz Antônio Fleury Filho (1991-1995). Na época, uma frase do peemedebista ficou célebre: disse que tomaria um copo de água tratada do rio antes da virada do século.

Em 2004, o próprio Alckmin prometeu o Tietê “limpo e navegável em dez anos”. A promessa foi atualizada em 2013, quando projetou a recuperação do rio e 100% do esgoto na cidade tratato até 2019. Mais de duas décadas depois – e cerca de R$ 8 bilhões investidos, segundo o jornal O Globo – do início do Projeto Tietê, o trecho do rio que atravessa a capital paulsita ainda é considerado morto.

Em 2004, Alckmin prometeu o Tietê navegável em dez anos. (Agência Estado)

 

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