Apesar de dado fraco, governo vê mudança estrutural na economia

Marcello Corrêa
Em recuperação lenta, PIB sobe 1,1% em 2019

BRASÍLIA — O crescimento econômico de 1,1% no ano passado, divulgado nesta quarta-feira pelo IBGE, veio dentro do esperado pela equipe econômica. Diante dos números fracos, o governo preferiu olhar para o que considera mudanças estruturais no cenário econômico, como a queda na concessão de créditos direcionados, tocados pelo BNDES.

— O investimento privado hoje tem mais qualidade. Ele vai para onde é mais eficiente. Quando se compara investimento hoje com 2013, era maior. Era maior, mas qual qualidade? Era dinheiro do BNDES, estádio de futebol, projeto em Olimpíada — afirma o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, em entrevista ao GLOBO.

A chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que indica o nível de investimentos, fechou o ano passado em alta de 2,2%, na comparação com 2018. No quarto trimestre, no entanto, houve um recuo de 3,3% frente aos três meses imediatamente anteriores. O número é monitorado de perto por analistas, porque indica o apetite para novos negócios no país e, consequentemente, sinaliza a capacidade de crescimento do país no futuro.

Apesar dos números negativos, Sachsida considera estar havendo uma mudança nas "placas tectônicas" da economia.

— As placas tectônicas da economia estão se movendo. Está ocorrendo uma mudança na estrutura dos investimentos.

Para 2020, já está contratada uma revisão para baixo da projeção oficial de crescimento. Na última previsão oficial, a equipe econômica estimou alta de 2,4% para este ano, mas os efeitos da crise do coronavírus farão o governo revisar esse número. O secretário não quis comentar os possíveis efeitos do corte de juros nos EUA e as ações de estímulo prometidas pelos países do G7.

— Vai ter efeito do Coronavírus, infelizmente. Estamos analisando ainda. Mas a vacina econômica contra o coronavirus é aprovar as reformas — afirmou o secretário.