Apesar de decisão judicial impedir divulgação do resultado da Sisu, inscrições continuam

Bruno Alfano
Campus do Fundão.

RIO — A decisão judicial que impediu a divulgação do resultado do Sisu 2020 não interrompeu as inscrições. Ou seja, elas seguem abertas até domingo. Os estudantes devem seguir marcando as opções no sistema e acompanhando a nota de corte.

Os resultados do Sisu seriam divulgados na terça-feira. No entanto, uma ação da Defensoria Pública da União conseguiu, na 8ª Vara Cível Federal de São Paulo, interromper a divulgação do resultado por conta dos erros de correção da nota do Enem.

A justiça determina que o governo comprove que o erro na correção das provas do Enem 2019 foi totalmente solucionado. Procurado, o MEC informou que a Advocacia-Geral da União (AGU) vai recorrer da decisão.

Segundo o MEC, até as 22h de sexta-feira, foram registradas 3,1 milhões de inscrições, feitas por 1,6 milhão de pessoas.

Esta não é a única ação que questiona o Enem na Justiça. O Ministério Público Federal, de Minas Gerais, pediu a interrupção do Sisu. Também há pelo menos 17 ações individuais em diferentes estados.

O Inep recebeu 172 mil e-mails relatando erros nas notas do exame, e todas as 3,9 milhões de provas da última edição do Enem foram conferidas pelo instituto. Segundo o órgão, 5.974 pessoas foram atingidas

Estudantes alegam que, neste ano, o sistema não está tirando da segunda opção alunos que já conseguiram uma vaga na primeira escolha. Isso faz com que a nota suba artificialmente — pois os candidatos ficarão só com a primeira vaga.

Durante o período em que o Sisu está aberto, os estudantes acompanham as notas de corte das suas duas opções. Caso ela suba além da sua pontuação, eles buscam outro curso.

O GLOBO teve acesso ao print de uma página do Sisu de 2018. Naquele ano, o sistema apresentava a seguinte mensagem: "Sua posição (na segunda opção) não foi considerada pois você estava temporariamente classificado em sua primeira opção".

— No primeiro e segundo dia, as notas de corte estavam "normais", houve um aumento, mas nada além do que já era esperado. No terceiro, cresceu 40 pontos — conta Cecília Medeiros, de 17 anos, que pretende cursar Ciências e Tecnologia na UFRN. — Agora não sei se estou fora por causa do erro ou porque a nota realmente subiu.

O MEC informou que os candidatos podem visualizar a nota de corte e sua posição em relação aos concorrentes nas duas opções de cursos selecionados porque "a metodologia dá mais transparência ao processo, auxiliando os participantes em sua decisão".