Apesar de desobediências, restrições reduziram o movimento no litoral norte de SP durante o feriado

GUSTAVO FIORATTI
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SÃO SEBASTIÃO, SP (FOLHAPRESS) - O feriado prolongado decretado pelo prefeito Bruno Covas na cidade de São Paulo poderia ter gerado um efeito indesejado para os moradores das cidades litorâneas do estado: o aumento de turistas no período mais crítico da pandemia de Covid-19. No entanto, as medidas de restrição às praias, ao comércio e à circulação de veículos nas estradas que ligam a capital ao litoral acabaram funcionando. Em todo o litoral norte, as praias tiveram movimentação reduzida durante o feriado, mesmo no fim de semana de Páscoa. Segundo a Secretaria Estadual de Logistica e Transportes do Estado de São Paulo, no sistema Anchieta-Imigrantes houve redução de 28,94% na movimentação de veículos se comparados os períodos entre 5 e 14 de março (antes da fase emergencial, iniciada no dia 15) e 26 de março a 4 de abril (megaferiado). No mesmo período, a Tamoios teve redução de 20% no movimento. Na sexta-feira que antecedeu o feriadão de dez dias, a Prefeitura de São Sebastião recorreu a uma barreira sanitária na rodovia Rio-Santos para espantar os turistas. Na barreira, os viajantes passavam por testes de Covid-19, e dezenas dos que receberam um resultado positivo para a doença tiveram que retornar às suas cidades de origem. Uma promotora de eventos que desceu a serra neste dia contou que passou mais de seis horas para fazer um trajeto que costuma ser feito em duas horas e meia. Segundo boletim municipal, São Sebastião permanece no limite de estoque de medicamentos para realizar intubação, "não recebendo novos pacientes que necessitam de intubação na UTI respiratória neste momento". Ainda segundo a prefeitura, o paciente que necessitar esse procedimento será cadastrado na Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross) do estado de São Paulo e deverá aguardar uma vaga no hospital de referência mais próximo para transferência. Nos seis dias que antecederam o Corpus Christi, as praias de Camburi, Barra do Sahy, Boiçucanga, Maresias e outras do litoral norte ficaram vazias. O movimento cresceu a partir da quinta-feira (1º), mas ainda permaneceu fraco. Também a partir deste dia a fiscalização, antes quase inexistente, começou a ganhar fôlego. Policiais da guarda civil de São Sebastião abordaram pessoas que estavam sentadas na praia pedindo para que elas se retirassem. Um deles disse à reportagem que sentia que esse era um trabalho de "enxugar gelo" e disse que não se lembrava de uma só pessoa que tivesse seguido sua orientação. Felipe Macedo, 28, que se identifica como "piloto de drones" (ele fotografa sufistas com câmeras aéreas), diz que foi abordado na praia da Baleia por um salva-vidas que queria conferir se ele usaria cadeira para se sentar, o que era proibido por decreto antes das medidas mais rígidas do feriadão -esportes individuais estavam liberados no início de março. Ali, a reportagem presenciou ciclistas e pais empurrando carrinhos de bebês, mas não viu uso de guarda-sol nem aglomerações. A forma de conter a entrada de pessoas nas praias se deu com um artifício visual. Em várias dos acesso à areia, havia tapumes de bloqueio. Camburi, Maresias, Boiçucanga e Barra do Sahy, porém, tinham acessos secundários liberados, e os próprios bloqueios foram vandalizados por banhistas. Surfistas e até famílias inteiras passavam pelos cercas sem grandes dificuldades. Especialmente no último fim de semana, havia na faixa de areia de Camburi banhistas jogando esportes coletivos. Aqueles que resolveram arriscar uma viagem da capital para a região desceram preocupados tanto com as barreiras sanitárias nas estradas como com a impossibilidade de pegar praia. Um motorista cadastrado no BlaBlacar, um site de compartilhamento de caronas, disse que um casal que ele trouxe de São Paulo fez diversas perguntas sobre as restrições nas estradas, com medo de que fossem barrados. Eles fizeram o trajeto no domingo (28) e não foram abordados por ninguém. Na balsa que liga São Sebastião a Ilhabela, a barreira sanitária pedia teste negativo para Covid-19 com validade de 48 horas. "Fizemos o teste PCR com prazo máximo de 48 horas", diz o empresário Thiago Salles Gomes, 41 anos, que viajou com um grupo de amigos. "Ao atravessar com a balsa, na entrada da cidade, fomos abordados pela fiscalização que solicitou os testes e o RG de todas as pessoas do veículo. Um já estava vacinado porque é farmacêutico e apresentou a carteirinha de vacinação, então fomos liberados. Isso nos deu segurança para entrar na cidade."