Apesar do fim da força-tarefa, corpo técnico da Lava-Jato segue em Curitiba até outubro

Thiago Herdy
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Geraldo Bubniak/AGB

SÃO PAULO. Formalizado nesta quarta-feira, o encerramento das atividades da força-tarefa Lava-Jato em Curitiba terá impacto reduzido graças à preservação, pelo menos até outubro, do corpo técnico que presta serviços ao Ministério Público Federal (MPF) desde o início da operação.

Trata-se do grupo de 35 servidores que hoje atua no assessoramento de procuradores em diferentes etapas do trabalho — desde a localização de informações específicas nas bases de dados da operação à organização de rotina e agenda, além de cuidados de ordem burocrática na tramitação de processos judiciais.

O grupo de servidores foi escolhido pessoalmente pelos procuradores — e por isso é considerado de confiança do grupo que atua na Lava-Jato. Agora eles estão operacionalmente vinculados ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MPF, que contará com nove integrantes — cinco deles dedicados exclusivamente às investigações remanescentes da Lava-Jato.

Outros dez procuradores continuarão nos casos ainda pendentes de conclusão, mas sem dedicação exclusiva – isto é, trabalhando remotamente. Reservadamente, os procuradores admitem que por causa da pandemia da Covid-19, na prática, o trabalho remoto já é uma realidade no trabalho do grupo desde março do ano passado.

No entanto, o fim da exclusividade — isto é, a obrigação de dar conta dos casos da Lava-Jato e também dos processos das comarcas de origem — é apontado como o maior empecilho ao desempenho dos procuradores. A redução na força de trabalho disponível é notável.

Para investigadores, a continuidade do trabalho, mesmo que em condições diferentes, só é possível graças à manutenção do corpo original de servidores.

O procurador-geral da República (PGR), Augusto Aras, está em rota de colisão com a Lava-Jato desde a campanha para a PGR. Ele era um dos poucos nomes críticos à operação e, ao assumir, decidiu realizar mudanças que desagradaram ao grupo.

Nesta quarta, depois de participar da sessão de abertura dos trabalhos do Congresso Nacional, em Brasília, ele citou a migração dos procuradores para o Gaeco como uma forma de dar continuidade à operação, mas sob nova roupagem institucional. Ele negou que a mudança signifique o fim dos trabalhos e classificou-a apenas como uma mudança de nome.

— Os Gaecos institucionalizam as atividades das forças-tarefas, que não tinham nenhuma institucionalidade. As forças-tarefas continuam no modelo institucional de Lava Jato, onde os membros são os mesmos, com garantias, inclusive, de mandato de biênio, onde existem projetos de início, meio e fim — afirmou.