Apesar de resultados frágeis, governo vai recomendar aumento do uso de cloroquina

Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta

O ministro da Saúde, Henrique Mandetta, disse nesta sexta-feira que o governo vai recomendar a ampliação do uso de medicamentos à base de cloroquina para o combate ao novo coronavírus. Mandetta disse que a recomendação, que era para uso apenas em pacientes considerados críticos, será ampliada para que os medicamentos possam ser usados em pacientes considerados graves.

Mandetta disse que a recomendação será feita apesar de o primeiro estudo científico produzido por cientistas brasileiros sobre os efeitos da cloroquina no tratamento da Covid-19 serem, nas suas palavras, frágeis.

"A gente divide os pacientes em formas leves, graves e críticos. Nós estávamos adotando (a cloroquina) para os críticos. Vamos adotar também para os graves, que são aqueles que vão para o hospital, mas ainda não necessitando de CTI. (Vamos fazer isso) Mesmo que as evidências sejam frágeis para que os médicos tenham a opção na farmacopeia pública", afirmou Mandetta.

Na quinta-feira, foi publicado um estudo científico sobre os efeitos do uso de medicamentos à base de cloroquina em pacientes infectados pela Covid-19. A cloroquina, que também é utilizada para o tratamento de doenças como malária e lúpus, vem sendo mencionada pelo presidente Jair Bolsonaro em seus discursos sobre a Covid-19.

Apesar das menções feitas por Bolsonaro, Mandetta vem reforçando que o uso da substância só pode ser feito com prescrição e orientação médica.

Segundo último levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde, o Brasil tem 7910 casos confirmados da doença e 299 mortes.