Apesar de ser campeão no País em perigo nas encostas, Rio investe menos na prevenção de deslizamentos

Selma Schmidt
O deslizamento na encosta da Avenida Niemeyer: área vulnerável

Tragédias — como a da Região Serrana, em 2011, e o do Morro do Bumba, em 2010, e da Avenida Niemeyer, este ano — deixaram marcas de destruição e mortes no Estado do Rio. Mas estão longe de servir de alerta. Serviços e obras de prevenção voltados a dar uma maior estabilidade às encostas engatinham, num momento em que o IBGE lança um estudo inédito apontando para uma situação dramática. Mais da metade da área do estado (53,9%) tem suscetibilidade a deslizamentos classificada como muito alta. Outros 19,9% do território fluminense são considerados como de alta vulnerabilidade, a segunda faixa mais elevada.

Uma fragilidade, aliás, que coloca o Rio na frente de todas as demais unidades da federação. Estado vizinho, o Espírito Santo vem em segundo lugar. Santa Catarina, Minas e Paraná ocupam as posições seguintes. Amazonas, Amapá e Acre, por sua vez, são os estados em que a fatia sujeita a deslizamentos é menor. 

Os dados são do mapa “Suscetibilidade a deslizamentos do Brasil: primeira aproximação”. O trabalho mostra que 5,7% da extensão territorial nacional tem suscetibilidade muito alta a deslizamentos, enquanto outros 10,4% estão na segunda faixa mais elevada.

Os investimento da prefeitura do Rio e do governo do estado para prevenção de deslizamentos e recuperação de locais afetados têm sido poucos. A dotação proposta pelo Executivo da capital para a GeoRio para 2020 (R$ 92,88 milhões) é 36% inferior (menos R$ 52,9 milhões) à dotação deste ano.