Austrália endurece requisitos para adquirir cidadania

Sydney (Austrália), 20 abr (EFE).- O governo de Austrália anunciou nesta quinta-feira (data local) o endurecimento dos requisitos para a obtenção da cidadania deste país, dois dias depois de aumentar as exigências para a concessão de vistos temporários de trabalho.

"A cidadania australiana tem que refletir os valores australianos", disse em entrevista coletiva o primeiro-ministro Malcolm Turnbull, ao ressaltar que seu país, diferente de outros, não se define pela raça, religião ou cultura.

"Nos definimos por nosso compromisso com os valores comuns, os valores políticos, o estado de direito, a democracia, o respeito mútuo, a igualdade entre homens e mulheres, e nosso processo de cidadania deve refletir isso", explicou Turnbull.

As novas medidas exigirão um mínimo de quatro anos de residência permanente, ao invés dos 12 meses atuais, e a realização de um exame de inglês para demonstrar um uso competente do idioma.

Os solicitantes também terão que demonstrar que compartilham "os valores australianos " e que contribuem à comunidade por meio da apresentação de provas de emprego contínuo, declarações de renda e a participação de seus filhos na vida escolar.

Além disso, cada solicitante só terá direito a três chances de fazer o exame para obter a cidadania, que incluirá novas perguntas submetidas a consulta pública referentes à compreensão dos valores e responsabilidades cidadãs.

O governo anunciou, além disso, que redobrará as revisões do antecedentes penais dos solicitantes e negará a cidadania àquelas pessoas com antecedentes de violência doméstica ou atividades vinculadas ao crime organizado.

O anúncio do governo se seguiu ao feito na terça-feira sobre o endurecimento dos requisitos para a chegada de trabalhadores estrangeiros, que reduz o número de ofícios elegíveis e a possibilidade de optar pela residência permanente.

A imigração é um dos assuntos que condiciona o debate político na Austrália, com o ressurgimento do partido xenófobo Uma Nação que subtraiu apoios da coligação conservadora governante.

O Executivo atualmente enfrenta os problemas econômicos derivados do fim do auge da mineração, o alto custo das moradias e o desemprego e subemprego. EFE