Aplicativo de comida caseira une clientes a empreendedores na pandemia

Madson Gama
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Divulgação

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RIO — Com a alta do desemprego durante a pandemia, a solução, para uma parcela da população, tem sido empreender. Foi na esteira deste movimento que o aplicativo Vizinhança viu seu número de parceiros crescer nos últimos meses. A plataforma, disponível para Android e iOS, foi criada no fim de 2019 com o intuito de conectar microempreendedores do ramo de comida caseira e artesanal a clientes que demandam esse tipo de alimentação em toda a cidade. Segundo Jeziel Medeiros, morador da Barra e um dos idealizadores do projeto, já são 280 vendedores cadastrados. Até março, eram apenas 20. Além disso, há outras 1.500 solicitações de cadastro em análise. O número de clientes cadastrados quadruplicou: foi de 250 para mil.

Geólogo de ofício, ele pensou em criar o aplicativo ao perceber a dificuldade do pequeno empreendedor para ampliar as vendas.

— Eu ajudava um pessoal da minha família a fazer salgadinhos gourmet. Como vendíamos em festivais, comecei a perguntar a outros vendedores como era a comercialização on-line e constatei que não era nada muito organizado. Não havia um aplicativo exclusivamente para o microempreendedor — conta ele, que levou a ideia a cabo ao lado do amigo Jean Penatti, de São Paulo, e pretende expandir sua área de atuação.

Quem quer vender seus produtos — um bolo, doces ou uma refeição completa, por exemplo — pelo aplicativo deve baixar a versão para loja, preencher um formulário, fazer a apresentação do produto e aguardar contato.

— O próprio empreendedor define o tempo, o valor da entrega e como ela será feita — explica Medeiros.

Os criadores do aplicativo recebem uma taxa de 16% sobre cada negócio realizado. Moradora da Barra, a nutricionista Nathana Ciniglia, que vende marmitas saudáveis sem glúten e lactose, se cadastrou na plataforma e conta que faz, pelo menos, 25 entregas por semana.

— Como já fiz um curso de gastronomia funcional, eu já preparava marmitas para os meus pacientes do consultório. Com a pandemia, parei de atender e comecei a divulgar o serviço para o público em geral. A procura é tanta que às vezes nem dou conta. O aplicativo veio para somar — afirma Nathana.

Para quem está começando a empreender, o Vizinhaça disponibiliza a consultoria de Fabíola Santos, que é formada em gastronomia e oferece ajuda em questões básicas.

— Meu papel é dar assistência a esses empreendedores no que diz respeito à precificação, à apresentação do produto na plataforma e a regras de vigilância sanitária, já que um produto de qualidade é aquele com segurança alimentar — conta.

Quem quiser comprar pelo Vizinhança deve baixar a versão do aplicativo para clientes. As compras só podem ser feitas com cartão de crédito. E, diferentemente de outros aplicativos de comida, neste o cliente pode combinar a entrega para dias depois do pedido, diretamente com o vendedor, por meio de um chat.

— Nós miramos naquelas pessoas que realmente se importam em comer melhor, uma comida mais bem-feita, elaborada com afeto — destaca Medeiros.

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