Aplicativos de monitoramento menstrual ganham modo anônimo

Implementação do modo anônimo nos aplicativos se deu após a proibição do aborto em alguns locais nos EUA
Implementação do modo anônimo nos aplicativos se deu após a proibição do aborto em alguns locais nos EUA
  • Desenvolvimento dos aplicativos no modo anônimo foi acelerado à luz da proibição do aborto nos EUA;

  • Ativistas se preocupam que dados pessoais possam ser requeridos pelas autoridades governamentais;

  • Flo já foi acusada de compartilhar dados de usuárias no passado.

O aplicativo que auxilia mulheres a monitorar seus dias menstruais Flo introduziu um recurso de "modo anônimo". A medida foi tomada à luz da revogação da decisão judicial Roe v. Wade nos Estados Unidos, e da preocupação que esses dados sejam utilizados por autoridades para perseguir mulheres que buscassem realizar abortos.

O modo anônimo do aplicativo irá permitir que as usuárias removam os seus dados pessoais de seus perfis, como nomes, e-mail e identificadores técnicos. Em seu comunicado, o Flo afirmou que o modo já estava em seus planos, mas que seu desenvolvimento e implementação foi acelerado após a decisão da Suprema corte americana.

“Flo sempre defenderá a saúde das mulheres, e isso inclui fornecer aos nossos usuários controle total sobre seus dados”, disse Susanne Schumacher, oficial de proteção de dados da Flo, segundo a NPR.

“A Flo nunca compartilhará ou venderá dados de usuários e apenas coletará dados quando tivermos uma base legal para fazê-lo e quando nossos usuários derem seu consentimento informado. Todos os dados que coletamos são totalmente criptografados e isso nunca mudará.”

Schumacher afirmou que assim que o usuário ativar o modo anônimo todos identificadores pessoais seriam removidos de sua conta. “Se Flo receber uma solicitação oficial para identificar um usuário por nome ou e-mail, o Modo Anônimo nos impediria de conectar dados a um indivíduo, o que significa que não poderíamos atender à solicitação”, dizia o e-mail. Usuários também podem enviar um e-mail para a empresa pedindo a exclusão de todas informações que eles tenham armazenadas.

Flo já compartilhou dados de seus usuários antes

O aplicativo, apesar de seu discurso, já foi criticado por ter compartilhado dados de suas usuárias no passado. Uma investigação do Wall Street Journal revelou que o app enviava informações ao Facebook quando uma usuária estava menstruada ou se pretendia engravidar.

Uma investigação da Federal Trade Comission (FTC), órgão de proteção ao consumidor, apontou que o Flo divulgava os dados de milhões de usuários para terceiros poderem "fornecer serviços de marketing e análise para o aplicativo, incluindo a divisão de análise do Facebook, a divisão de análise do Google, o serviço Fabric do Google, AppsFlyer e Flurry”.

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