Apoiadora de Trump morta pela polícia do Capitólio era veterana da Força Aérea e defendia teoria QAnon

·3 minuto de leitura

BAURU, SP (FOLHAPRESS) - Uma das quatro pessoas que morreram durante a invasão de extremistas ao prédio do Congresso dos Estados Unidos nesta quarta-feira (6) era uma veterana da Força Aérea americana e apoiadora fervorosa do presidente Donald Trump. Ashli Babbitt, 35, morreu depois de ser baleada por um agente da polícia do Capitólio enquanto tentava passar por cima de uma barreira de móveis empilhados para entrar em um dos salões do Congresso. Em um vídeo publicado nas redes sociais, vê-se um grupo que tentava forçar uma porta com vidros quebrados que estava bloqueada por cadeiras e mesas. Uma mulher, com uma bandeira de apoio a Trump na cintura, tenta passar pela barreira. Um dos agentes atira contra ela, que cai no chão de mármore. Ela chegou a ser socorrida e levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. As autoridades não identificaram oficialmente nenhuma das vítimas, mas diferentes veículos da imprensa americana confirmaram que a mulher baleada na sede do Congresso era Ashli Babbitt. De acordo com o jornal Washington Post, que entrevistou o ex-marido de Babbitt, ela era natural de San Diego, na Califórnia, veterana da Força Aérea americana e uma ferrenha defensora de Trump. Timothy McEntee, com quem ela foi casada por 14 anos até maio de 2019, disse ao jornal que Babbitt serviu as Forças Armadas no Afeganistão e no Iraque, além de ter composto o contingente da Guarda Nacional no Kuwait e no Qatar. "Ela nuna tinha medo de falar o que pensava e, de certa forma, essa era sua maneira de falar o que pensava [indo para o comício em Washington]", disse McEntee. Em entrevista à rádio KUSI, de San Diego, Aaron Babbitt, atual marido da vítima, disse que ela era uma apoiadora apaixonada por Trump. Segundo ele, a veterana era "muito barulhenta e opinativa, mas carinhosa, doce, atenciosa e amorosa". Em suas redes sociais, Babbitt expressava apoio fervoroso ao presidente rebublicano e ecoava falsas alegações de fraude generalizada nas eleições americanas, além de compartilhar conteúdos que questionavam a gravidade da pandemia de coronavírus e criticavam o uso obritório de máscaras de proteção. Em uma das publicações, no início de setembro, ela publicou uma foto no Twitter em que vestia uma camiseta com a frase "We are Q" (nós somos Q), em referência ao movimento QAnon, uma teoria segundo a qual Trump combate uma seita de pedófilos adoradores de Satanás que controla o mundo. Na última terça-feira (5), véspera da invasão no Capitólio, Babbitt comentou a publicação de um usuário que insinuou que o cancelamento de voos para Washington era resultado de algum tipo de conspiração, já que Trump tinha agendado para o dia seguinte um comício na capital americana. “Nada vai nos impedir. Eles podem tentar e tentar e tentar, mas a tempestade chegou e está caindo sobre [Washington] D.C em menos de 24 horas. Da escuridão à luz!”, escreveu Babbitt. O chefe do departamento de polícia de Washington, Robert Contee, afirmou que outras três mortes (dois homens e uma mulher) foram registradas nos arredores do Capitólio. Ele disse que esses óbitos decorreram de “emergências médicas”, sem oferecer mais detalhes. Ainda segundo Contee, ao menos 14 policiais ficaram feridos, um deles em situação grave, durante os confrontos no Congresso. Ele também informou que 52 pessoas foram presas, 47 delas por desrespeitar o toque de recolher em vigor desde as 18h locais (20h em Brasília).