Apoiadores de Castillo se flagelam para que seja proclamado presidente do Peru

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A polícia bloqueia apoiadores do candidato à presidência de esquerda Pedro Castillo, do Peru Libre, durante um comício no centro de Lima em 12 de junho de 2021

Quatro partidários do candidato esquerdista Pedro Castillo se flagelaram nesta sexta-feira (16) enfiando agulhas nas veias dos braços e derramando seu sangue, a fim de pressionar o júri eleitoral a proclamar o líder o mais rápido possível como novo presidente do Peru.

Os ativistas realizaram esse inusitado "ato de imolação patriótica" em uma rua do centro de Lima, em frente à sede do Júri Eleitoral Nacional (JNE), órgão que há mais de seis semanas analisa as contestações eleitorais à espera de proclamar o vencedor da eleição presidencial, muito acirrada, de 6 de junho.

“Esse protesto por sangramento é para dizer às nossas autoridades que já é hora, porque estão atrasando demais a proclamação (da vitória) de Pedro Castillo”, declarou Medis Herrera, uma das ativistas que se flagelou.

A apuração do órgão eleitoral (ONPE), que chegou a 100% há quatro semanas, deu a Castillo 50,12% dos votos contra 49,87% da candidata de direita Keiko Fujimori, mas a última palavra deve ser dada pelo JNE, que espera proclamar o novo presidente na próxima terça-feira.

“É da responsabilidade do Júri Eleitoral Nacional tudo que estamos sacrificando e sei que milhares de compatriotas vão mostrar solidariedade e seguramente continuarão a fazê-lo à medida que estes senhores continuem demorando", afirmou Ciro Silva, 64, outro dos ativistas que tirou o próprio sangue em público.

Enquanto o Peru permanece em suspense sem saber oficialmente quem será seu novo presidente, partidários dos dois candidatos fizeram manifestações nas últimas semanas para pressionar as autoridades eleitorais.Além disso, centenas de ativistas de ambos os lados acampam em praças do centro de Lima.

Os partidários de Fujimori estão protestando para que o processo seja anulado e eleições sejam convocadas, enquanto os apoiadores de Castillo exigem que o esquerdista seja proclamado presidente eleito o mais rápido possível.

Fujimori denunciou que houve "fraude" a favor de seu rival, sem oferecer provas conclusivas e apesar de observadores da OEA afirmarem que o processo eleitoral foi limpo e sem "graves irregularidades". Os Estados Unidos também declararam que tratavam-se de "eleições livres, justas, acessíveis e pacíficas”, o que constituiu um“ modelo de democracia na região”.

Na quarta-feira, dezenas de manifestantes enfurecidos de Fujimori atacaram os carros dos ministros da Saúde e da Habitação com pedras e paus no centro de Lima. Além disso, agrediram jornalistas e atacaram estabelecimentos comerciais, confrontando a polícia de choque.

O novo presidente deve suceder o presidente interino Francisco Sagasti em 28 de julho, dia em que o Peru comemora o bicentenário de sua independência.

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