Apoiadores de Macron comemoram com alívio e Daft Punk na França

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PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) - Assim que a projeção da vitória de Emmanuel Macron apareceu no telão, os militantes que se reuniam no campo de Marte, com a Torre Eiffel ao fundo, comemoraram com gritos e bandeiras da França e da União Europeia.

Num palco, a equipe de Macron fez de "One More Time" (mais uma vez, em inglês), o maior sucesso do duo francês Daft Punk, também o seu tema da vitória.

"Estávamos bastante apreensivos", diz Luiz de Oliveira, 56, vice-presidente de uma empresa de TI, ao lado da mulher, Céline, 44, professora de francês. "Sou da geração que viveu o fim da ditadura no Brasil. Para a gente, a perspectiva de ver um partido da extrema direita ganhar porque as pessoas não querem votar é triste."

A esposa ratificou a declaração: "Não queremos a extrema direita na França e vamos derrubar Bolsonaro no Brasil".

O executivo, que vive em Paris há 20 anos, agora se diz preocupado com as eleições legislativas marcadas para junho, que podem se tornar a verdadeira pedra no sapato do presidente reeleito. "Enquanto movimentos antidemocráticos prosperavam na Hungria, na Polônia, mesmo nos EUA, a França teve Macron. E acho que ele conseguiu executar bastante coisa mesmo num cenário desfavorável", afirma.

"Tem uma grande parte da população aqui que se comporta como filho de papai, quer sempre mais. Acho que essa crise social ainda vai permanecer muitos anos."

A esposa, segurando cartazes de apoio ao político de centro-direita, lembra que ao fim do mandato de cinco anos de François Hollande (2012-2017), o país estava mal. "E agora, mesmo com os Coletes Amarelos e a pandemia, Macron conseguiu nos conduzir bem. Claro que nosso débito explodiu, mas foi para garantir o bem-estar das pessoas durante a crise sanitária. Agora o resultado está aí", afirma.

A preocupação com o poder de compra, em meio a um momento de alta da inflação e de crise no abastecimento de energia, foi a principal na hora de definir o candidato, de acordo com pesquisas realizadas nos dois turnos do pleito.

"A extrema direita não passará nunca na França", ela completa, apostando na parceria de Macron com o primeiro-ministro da Alemanha, Olaf Scholz. "Eles vão fazer a União Europeia avançar."

Famílias com jovens e crianças pequenas também encheram o campo de Marte na tarde parisiense, à espera de Macron —o presidente reeleito apareceria para discursar pouco depois das 21h30, pelo horário local (16h30 em Brasília). Reconheceu que a França sai da eleição como um país dividido, e prometeu: "Ninguém vai ser deixado para trás. De agora em diante, não sou o candidato de um partido, mas sim o presidente de todas e todos".

Afirmou ainda que seu segundo mandato não será uma continuidade e prometeu cinco anos melhores para o país e para os mais jovens. "Não devem ser anos tranquilos, mas serão históricos."

Nascida na Alemanha, Andréa Linné era uma das presentes que levaram a família inteira: o marido, Éric Baldassari, 51, e os filhos de 17, 11 e 8 anos. "Somos um casal binacional. A União Europeia tem que ficar mais forte, não menos", afirma o parisiense Éric.

"É importante que nossos filhos vejam a comemoração de hoje", completa Andréa, que afirma se preocupar com os próximos cinco anos num país em que pouco mais de 40% dos eleitores escolheram Marine Le Pen. "E que Macron aplique seu programa de reindustrialização sem perder de vista a preocupação ambiental."

Fora da militância, Manon, 14, estava curiosa para acompanhar o trabalho dos jornalistas e circulava na multidão sem cartazes nem bandeiras. O pai, Jean-Paul, 52, a acompanhava ("ela quer ser jornalista desde pequena") e não chegava a comemorar. "Não votei em Le Pen, caso contrário nem teria vindo", conta, à maneira dos franceses, em geral avessos às declarações públicas de voto.

"Acho que Macron terá muito trabalho pela frente. Cinco anos atrás, ele era uma esperança, mas hoje tem mais responsabilidade, porque precisa resgatar o espírito republicano da França." Para Manon, que ainda não pode votar, a ultradireita de Le Pen "não seria nada positiva para o país".

"Eu pensei que a vitória seria mais apertada. Foi uma boa surpresa", diz Françoise Dimopoulos, 62. Para Akoi Koivogui, 50, "essa vitória é um alívio". "Torço para que tudo vá bem nos próximos cinco anos."

A estudante Lisa Boveda, 22, se dizia "muito feliz e queria dividir a alegria com outros militantes". Enquanto isso, enrolado numa bandeira da França, o também estudante Eloi, 12, esperava o presidente. "Vim para vê-lo! Mas espero que a guerra acabe na Ucrânia e que fique tudo bem na França."

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