Apoiados por Guedes, vouchers para creches não têm consenso científico

Bruno Alfano
Criança almoça em creche municipal de Queimados, na Região Metropolitana do Rio

RIO — Ao tratar em Davos de um “gigantesco programa de vouchers para educação nos primeiros estágios”, o ministro da Economia, Paulo Guedes, esquentou o debate sobre o modelo. Nele, defensores e críticos, concordam em um ponto: ainda não há consenso científico sobre seu impacto na qualidade da oferta.

Apoiadores afirmam que é preciso colocar a ideia em prática em pequenos pilotos para teste, enquanto críticos apontam outras medidas mais consolidadas.

— Estamos há 60 anos apostando no mesmo modelo de escola pública e nossos resultados não são satisfatórios — argumenta o economista Marcos Ricardo dos Santos, especialista em políticas públicas do Ministério da Economia e autor do livro “Vouchers na Educação”. — Se você é filho da elite, os pais podem escolher a sua escola, que tem pedagogias diferentes.

Por outro lado, o especialista em dados educacionais e econômicos e doutor em Educação Gregório Grisa, que é contra a ideia, defende medidas como programas ligados à primeira infância, creches em tempo integral, formação docente e ampliação de unidades escolares planejadas.

—Além disso, diante do volume da demanda, não é factível pensar que a rede privada teria como absorver muito mais do que atende hoje, ainda mais na escala que o governo parece pretender. Nas regiões mais pobres, a oferta de vagas na rede privada é ainda mais modesta — afirmou.