O apoio contínuo de Trump a Israel

(Setembro) Cartaz eleitoral do partido Likud em Jerusalém mostra o presidente americano, Donald Trump (e), e o premier de Israel, Benjamin Netanyahu

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cujo governo decidiu que não considerará mais ilegais as colônias israelenses em terras palestinas, mantém um forte apoio a Israel desde a sua chegada à Casa Branca.

- Primeiras rupturas -

Em 15 de fevereiro de 2017, menos de um mês após sua posse, Trump reitera sua disposição a supervisionar um acordo de paz entre israelenses e palestinos.

O presidente americano anuncia, porém, que Washington não se apega à solução de dois Estados, isto é, a criação de um Estado palestino que coexista com Israel, rompendo com décadas de tradição diplomática americana.

Em 16 de março, o representante especial de Trump, Jason Greenblatt, reuniu-se em Jerusalém com líderes das colônias israelenses.

Em maio, Trump viaja para Israel e para os territórios palestinos ocupados. Curva-se diante do Muro das Lamentações, na Cidade Velha de Jerusalém, uma primeira vez para um presidente americano.

- Jerusalém -

Em 6 de dezembro de 2017, Trump reconhece Jerusalém como capital de Israel, provocando a ira dos palestinos.

O estatuto da Cidade Santa é um dos problemas mais espinhosos do conflito, já que os palestinos desejam que Jerusalém Oriental – ocupada e anexada por Israel desde 1967 – seja a futura capital do Estado a que aspiram.

No dia 14 de maio de 2018, a transferência da embaixada dos EUA de Tel Aviv para Jerusalém coincide com um banho de sangue da Faixa de Gaza, onde cerca de 60 palestinos morreram em confrontos com o Exército israelense durante manifestações perto da fronteira entre o enclave e o Estado hebraico.

"Os Estados Unidos não são mais mediadores no Oriente Médio", declarou o presidente palestino, Mahmud Abbas.

- Suspensão dos financiamentos -

Em 31 de agosto de 2018, Washington anuncia que não irá mais financiar a Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos, uma semana depois de ter suprimido mais de 200 milhões de dólares em ajuda aos palestinos.

No dia 10 de setembro, EUA anuncia o fechamento do escritório de representação palestina em Washington, o qual atuava como embaixada da Autoridade Palestina.

Em 4 de março de 2019, o consulado geral dos EUA em Jerusalém, que serviu de embaixada para os palestinos, fechou para ser absorvido pela embaixada dos EUA em Jerusalém.

- Golã -

Em 21 de março de 2019, Trump se mostrou favorável ao reconhecimento da soberania de Israel sobre Golã, grande parte conquistada em 1967 por Israel em detrimento da Síria. Sua anexação em 1981 não foi reconhecida pela comunidade internacional.

A Síria denuncia uma "agressão flagrante" à sua soberania.

- Novas rupturas -

Em 27 de março, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, sugere que o futuro plano de paz deverá romper o consenso tradicional sobre questões importantes, como Jerusalém, colônias, ou refugiados.

Em 2 de maio, o genro e conselheiro de Trump, Jared Kushner, confirma que o plano não deve se referir aos "dois Estados".

Um mês depois, o embaixador dos EUA em Israel, David Friedman, afirma que Israel tem o direito de anexar "uma parte" da Cisjordânia ocupada.

No final de junho, Kushner apresenta a parte econômica do plano americano, onde são prometidos 50 bilhões de dólares em investimentos internacionais nos territórios palestinos e nos países árabes vizinhos por dez anos. Os palestinos boicotam a conferência.

- Colônias -

Em 18 de novembro, Pompeo anuncia que os Estados Unidos já não se consideram mais as colônias israelenses na Cisjordânia ocupada e Jerusalém Oriental contrárias ao Direito Internacional. O anúncio vai na direção oposta do que defendem a ONU e grande parte da comunidade internacional.

"A verdade é que nunca haverá uma solução judicial para o conflito e que debates sobre quem está certo e quem está errado sobre o Direito Internacional não trarão a paz", alega o secretário americano.