Apoio da OMS para a vacina AstraZeneca, uma esperança para dezenas de países

Agnès PEDRERO, con Alina DIESTE en Washington
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Enfermeira Janete Da Silva Oliveira prepara vacina anticovídeo AstraZeneca / Oxford na comunidade Nossa Senhora Livramento às margens do Rio Negro próximo a Manaus, estado do Amazonas, Brasil, em 9 de fevereiro de 2021

A vacina anticovid da AstraZeneca é eficaz em pessoas com mais de 65 anos e também onde estão circulando variantes preocupantes do vírus, disseram especialistas da OMS nesta quarta-feira (10), abrindo caminho para sua autorização e distribuição em dezenas de países, incluindo da América Latina.

O Grupo de Especialistas em Assessoria Estratégica sobre Imunização (SAGE), composto por 15 membros da OMS, emitiu recomendações provisórias sobre quando e como usar esta vacina, que ainda não foi aprovada pela OMS.

A notícia vem após a vacina desenvolvida pelo laboratório britânico AstraZeneca e pela Universidade de Oxford sofrer alguns contratempos nas últimas semanas.

"As novas diretrizes da OMS são um passo importante na expansão do acesso à vacina Oxford-AZ a todos os cantos do mundo", disse Andrew Pollard, da Universidade de Oxford.

Esta imunização com vetor viral é uma parte vital do portfólio da Covax, o sistema liderado pela OMS para adquirir vacinas anticovid e garantir seu acesso equitativo em todo o mundo.

Representa quase todas as 337,2 milhões de doses que a Covax deseja distribuir no primeiro semestre de 2021, das quais 35,6 milhões começarão a ser enviadas a partir de meados de fevereiro para cerca de trinta países e territórios nas Américas.

De Washington, Carissa Etienne, diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), escritório regional da OMS, reafirmou sua "confiança" na oferta da Covax, que também planeja entregar doses da vacina Pfizer/ BioNTech a quatro países da região.

"Com base nas evidências que agora temos sobre as variantes preocupantes, estamos confiantes de que nosso portfólio crescente de vacinas contra a covid-19 continua útil e nos guiará até o fim desta pandemia", disse.

"Nossa confiança não diminuiu", ressaltou em coletiva de imprensa.

Até agora, 20 países nas Américas relataram pelo menos uma das três variantes preocupantes da covid-19 detectadas primeiramente no Reino Unido, África do Sul e Brasil, de acordo com dados da OPAS.

“Não há dados hoje sobre se esta nova variante identificada na África do Sul pode mudar a eficácia da vacina para casos graves, que é o principal objetivo do uso”, enfatizou o vice-diretor da OPAS, Jarbas Barbosa.

Barbosa disse que a OMS decidirá "na sexta ou na segunda-feira" se concederá a autorização de uso emergencial da vacina AstraZeneca/Oxford e das doses produzidas na Índia e na Coreia do Sul.

A vacina Pfizer/BioNTech é, até à data, a única que recebeu a aprovação emergencial da OMS em 31 de dezembro.

- "Não há razão" -

A vacina AstraZeneca/Oxford foi aprovada em vários países e na União Europeia. Alguns governos, no entanto, preferiram recomendar seu uso apenas para pessoas menores de 65 anos, ou até mesmo de 55, devido à falta de dados suficientes sobre sua eficácia nos mais idosos.

Além disso, no domingo, a África do Sul informou que um estudo mencionava a eficácia "limitada" dessa vacina contra a variante detectada no país, considerada mais contagiosa e em grande parte responsável pela segunda onda da epidemia na região.

Alejandro Cravioto, que preside o SAGE, disse que o grupo aconselha “que a vacina seja aplicada em pessoas a partir dos 18 anos, sem limite de idade”.

E ressaltou que “não há razão para não recomendar seu uso mesmo em países que têm circulação das variantes”.

Em suas recomendações, o grupo de especialistas indicou que "este estudo foi projetado para avaliar a eficácia (da vacina) contra todas as formas de gravidade da doença, mas o pequeno tamanho da amostra não permitiu avaliar a eficácia da vacina contra as formas graves da covid-19 de forma específica".

Eles também disseram que a vacina foi mais eficaz quando o intervalo entre as doses foi estendido para oito a 12 semanas.

Até o momento, a vacina da AstraZeneca/Oxford apresenta uma eficácia média de 70%, menor que a da Pfizer/BioNTech e da Moderna, que induzem uma imunidade acima de 90%.

Mas essa vacina usa tecnologia mais tradicional do que as da Pfizer / BioNTech ou Moderna, o que a torna mais barata, mais fácil de armazenar (pois não requer refrigeração em temperaturas muito baixas) e, portanto, mais adequada para campanhas de vacinação em massa.

Por outro lado, os especialistas da OMS continuam se opondo ao uso de vacinas anticovid para facilitar as viagens internacionais, devido à escassez de doses.

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