Apoios a Boric e Kast entre artistas e intelectuais opõem García Bernal a Vargas Llosa

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SANTIAGO, CHILE (FOLHAPRESS) - A eleição presidencial chilena, cujo segundo turno acontece no domingo (19), tem mobilizado artistas e intelectuais estrangeiros de relevo, muitos dos quais em favor de Gabriel Boric.

O economista francês Thomas Piketty e a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, assinaram uma carta de apoio ao esquerdista, afirmando que uma vitória de Jose Antonio Kast seria "um perigo real de retrocesso".

Na mesma toada, o ator mexicano Gael García Bernal, que atuou como um publicitário chileno na campanha pelo fim da ditadura no filme "No", de Pablo Larraín, publicou um vídeo em suas redes sociais.

"O que está acontecendo no Chile é o que está acontecendo em várias partes do mundo, o enfrentamento de duas visões. Uma delas propõe um futuro por um bem comum, uma espécie de concórdia, e a outra propõe algo parecido a uma extinção. Se eu fosse chileno, votaria em Gabriel Boric."

Kast, que liderou o primeiro turno da eleição, ganhou espaço por meio das bandeiras do anticomunismo e do antiglobalismo, propagandeando uma política restritiva em relação à imigração e linha-dura na área de segurança. Boric, deputado de 35 anos, por sua vez, integrou o grupo de jovens líderes estudantis que em 2011 protestaram pela educação universitária gratuita.

Também defende avanços em direitos civis, como o aborto e o casamento gay e se diferencia do nome da ultradireita por ter em seu programa o reconhecimento dos direitos dos povos indígenas. A candidatura do esquerdista também é, de certa forma, fruto dos protestos que desembocaram no movimento para substituir a Constituição formulada na época do ditador Augusto Pinochet, de quem Kast é fã declarado.

Por isso, o ator chileno-americano Pedro Pascal, de "Game of Thrones" e "Narcos", cuja família deixou o Chile durante a ditadura militar (1973-1990) e conseguiu asilo político na Dinamarca, também postou um vídeo pró-Boric: "Quero convidá-los a votar em um líder comprometido com a democracia".

Em uma pegada poética, o cantor uruguaio Jorge Drexler divulgou, no Twitter, mensagem a favor do esquerdista: "Armemo-nos de coragem até os dentes, o ódio saiu de seu esconderijo e, neste domingo, votar é coisa de valentes. Amemo-nos, todo meu amor para o Chile".

Do lado de Kast, um intelectual que se posicionou recentemente foi o Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa. Conhecido até há alguns anos por um liberalismo progressista, o peruano vêm apoiando candidatos de direita, como o ex-líder argentino Mauricio Macri e a candidata derrotada no Peru Keiko Fujimori.

"A eleição no Chile é absolutamente fundamental. Se o Chile recuperar a liderança que tinha na América Latina, creio que a situação na região mudará muito. Será muito importante que o Chile lidere novamente o que é a centro-direita, a liberdade, o estímulo aos empresários e o investimento estrangeiro."

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