Apontado pela polícia como um dos líderes de atos antidemocráticos, vereador do PDT deve ser expulso do partido

Após ter sido apontado pela Polícia Civil de Santa Catarina como um dos líderes locais das manifestações antidemocráticas que sucederam a vitória do presidente Lula, o vereador Vanirto Conrad (PDT) deve ser expulso do partido. O presidente da sigla e ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, confirmou ao GLOBO que um processo de expulsão já tramita na Comissão de Ética do PDT. Filiado ao partido fundado por Leonel Brizola desde 1996 e em seu quarto mandato de vereador, Varnito Conrad é presidente da Câmara Municipal de São Miguel do Oeste, município com pouco mais de 40 mil habitantes no oeste catarinense.

Após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, apoiadores do ex-presidente organizaram atos e bloqueios antidemocráticos em todo o país. No último domingo, o teor golpista presente nessas manifestações culminou em um ato terrorista que depredou as sedes dos Três Poderes em Brasília.

Em novembro do ano passado, a Polícia Civil listou o nome do vereador como um dos possíveis organizadores dos atos antidemocráticos que ocorreram em Santa Catarina. O PDT investiga ainda possível relação de Conrad com o que ocorreu na capital do país.

Esta não é a primeira vez que um parlamentar do partido pode ser expulso por se declarar bolsonarista: o deputado federal Alex Santana (BA), agora no Republicanos, enfrentou o mesmo procedimento após comparecer a um ato pró-Bolsonaro no dia 7 de setembro.

Como noticiou o GLOBO, divergências dentro dos partidos durante as eleições do ano passado ocasionaram crises internas que resultaram em ao menos 74 pedidos de desfiliação — em especial dentro do PDT que concentrou 70% das baixas (52).

Em novembro do ano passado, São Miguel do Oeste ganhou repercussão nacional quando manifestantes bolsonaristas fizeram uma saudação semelhante ao “Sieg Heil” em um ato antidemocrático na cidade. O vídeo dos apoiadores do ex-presidente em frente a uma base do Exército viralizou e gerou repúdio. O caso chegou a ser investigado pelo Ministério Público de Santa Catarina, mas foi arquivado em dezembro.

“Em que pese o gesto realizado por algumas pessoas que participavam da manifestação possa ter sido (erroneamente, diga-se de passagem) interpretado como semelhante a saudação nazista "Sieg Heil", a minuciosa e diligente investigação realizada pelos integrantes do GAECO Regional de São Miguel do Oeste não revelou qualquer indício no sentido de que os manifestantes praticaram, promoveram, induziram ou incitaram a discriminação ou preconceito de raça”, diz trecho da decisão do Promotor de Justiça Rodrigo Millen Carlin.

O episódio foi repudiado por instituições como o Museu do Holocausto, a Embaixada de Israel, o grupo Judeus Pela Democracia e o embaixador da Alemanha no Brasil, Heiko Thoms.