Após 26 anos de buscas, colombiano encontra assassino da filha foragido no Brasil

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Saade foi encontrado graças ao esforço de Martín - Foto: Reprodução
Saade foi encontrado graças ao esforço de Martín - Foto: Reprodução
  • Aos 79 anos, Martín Mestre encontrou em Belo Horizonte o assassino de sua filha

  • Jaime Saade foi condenado a 27 anos de prisão na Colômbia, mas fugiu

  • Ele estava no Brasil com identidade falsa, casou-se e teve filhos no país

Depois de 26 anos, um homem colombiano finalmente encontrou o assassino da própria filha. Jaime Saade foi localizado no Brasil com nova identidade e documentos falsos. As informações são do jornal O Globo.

Martín Mestre, aos 79 anos, foi o responsável por achar o criminoso. Foram quase três décadas de busca, mas o pai nunca desistiu de colocar atrás das grades o homem responsável por ceifar a vida de sua filha, Nancy Mariana.

O caso aconteceu em janeiro de 1994. Nancy, então com 18 anos, saiu com o namorado Jaime para nunca mais voltar. Dois anos depois, o rapaz foi condenado a 27 anos de cadeia por assassinato e estupro, mas a pena nunca foi cumprida.

“Desde aquele dia eu vivo em função de ele ser capturado. Não é uma obsessão, é um dever de pai”, declarou Martín em entrevista ao jornal El País.

A determinação em busca do assassino da filha fez com que o homem fizesse um curso de investigação e criasse perfis falsos em redes sociais para tentar rastrear pessoas ligadas a Saade.

Em 2019, ele finalmente conseguiu uma pista sobre o paradeiro do criminoso: Belo Horizonte. Ele descobriu que Saade não só vivia na capital mineira, como havia reconstruído a vida com documentos falsos, estava casado e tinha filhos.

Prisão e frustração

O rapaz, agora sob a identidade de Henrique dos Santos Abdala, foi preso no ano passado. Para que ele siga detido, porém, é necessária a extradição para a Colômbia.

Nancy foi assassinada pelo namorado - Foto: Reprodução
Nancy foi assassinada pelo namorado - Foto: Reprodução

O primeiro julgamento sobre a questão no Supremo Tribunal Federal (STF) manteve Saade no país. Isso porque, em território brasileiro, as ações prescrevem após 20 anos, prazo cumprido antes da detenção do assassino.

“A sensação que tive é que julgaram o destino do assassino da minha filha como se fosse um jogo de futebol. Chorei muito, chorei muito por esse caso, mas não me canso, nunca vou desistir. Vamos trazê-lo para a Colômbia e ele vai começar a pagar”, disse Martín.

Entenda o crime

Naquele início de 1994, o homem foi à casa de Saade, namorado de Nancy, preocupado com o sumiço da filha após uma comemoração de ano novo. Lá, encontrou a mãe do rapaz lavando o chão da residência. Ela afirmou que a jovem havia sofrido um acidente e sido levada a um hospital.

Na clínica, o pai de Saade afirmou que Nancy havia tentado cometer suicídio, mas uma enfermeira explicou que a garota havia sido levada em um lençol sujo, com sinais de violência no corpo, e aconselhou Martín a não acreditar naquela versão.

Nancy morreu oito dias depois, e o caso foi parar na Justiça. A perícia descartou a possibilidade de suicídio e determinou que a jovem havia tentado se defender do tiro que a matou. Um mandado de busca internacional foi emitido contra Saade, que só foi encontrado graças ao esforço de Martín.

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