Após ação da PF, Salles deve prestar esclarecimentos na Câmara

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Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, alvo de operação da PF nesta quarta
Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, alvo de operação da PF nesta quarta (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)
  • Ministro do Meio Ambiente e presidente do Ibama devem ser convocados pela Câmara para explicar ação da PF

  • Os dois foram alvos de operação da PF nesta quarta que mira exportação ilegal de madeira

  • STF autorizou também quebra dos sigilos bancário e fiscal do ministro

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o presidente do Ibama, Eduardo Bim, devem comparecer à Câmara para explicar a operação da Polícia Federal que investiga a exportação ilegal de madeira para Estados Unidos e Europa

A PF deflagrou na manhã desta quarta (19) a Operação Akuanduba, que investiga crimes contra a administração pública, como corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e, especialmente, facilitação de contrabando, práticos por agentes públicos e empresários do ramo madeireiro.

O pedido de convocação de Salles e de Bim foi apresentado nesta quarta-feira (19) à Comissão de Meio Ambiente pelo deputado Célio Studart (PV-CE).

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O parlamentar quer esclarecimentos sobre as denúncias que motivaram a Operação Akuanduba, deflagrada pela Polícia Federal para apurar crimes em órgãos ambientais, com o envolvimento de agentes públicos e empresários do ramo madeireiro em irregularidades em processos de exportação.

Em sua justificativa, Studart defende que é necessário ouvir o ministro e o presidente afastado do Ibama para que expliquem as "gravíssimas denúncias" que levaram à operação, bem como quanto aos sistemas de controle e fiscalização do instituto, principalmente àqueles voltados para a exportação de madeiras.

“Precisamos ouvir as considerações do ministro sobre denúncias de corrupção, relação com tráfico de madeira e, ainda, movimentações financeiras suspeitas apontadas pela Coaf”, ressalta o deputado.

Um dos pontos destacados por Célio Studart que precisa ser esclarecido é a não observância rotineira de pareceres técnicos emitidos pelos analistas ambientais do Ibama.

Ricardo Salles esteve na comissão no último dia 3 e chegou a ser questionado sobre a criação de um “estado paralelo intrapoderes de delinquência”, devido à interferência do ministro na operação que resultou na maior apreensão de madeira ilegal da história brasileira e à queixa-crime apresentada pelo delegado Alexandre Saraiva, ex-superintendente da PF, contra Salles.

“Vossa Excelência é ministro do Meio Ambiente, e não da Agricultura, e sua função é defender o meio ambiente. Ter um delegado demitido após acusá-lo de ter favorecido grilagem, desmatamento e derrubada ilegal de madeira, causa estranhamento”, apontou Célio Studart, acrescentando que são públicas as informações sobre os encontros do ministro com madeireiros, parlamentares e membros do Executivo.

Ação da PF que mira exportação de madeira ilegal realiza busca e apreensão em endereços do ministro Ricardo Salles - Foto: Instagram/ Reprodução
Ação da PF que mira exportação de madeira ilegal realiza busca e apreensão em endereços do ministro Ricardo Salles - Foto: Instagram/ Reprodução

Entenda Operação Akuanduba

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o presidente do Ibama, Eduardo Bim, são alvos de uma operação da Polícia Federal, nesta quarta-feira (19), que investiga a exportação ilegal de madeira para Estados Unidos e Europa.

A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que também determinou a quebra de sigilos bancário e fiscal do ministro, o afastamento preventivo de Bim do comando do Ibama e o de outros nove servidores investigados.

Na operação, Alexandre de Moraes determinou ainda a suspensão imediata da aplicação de um despacho emitido em fevereiro de 2020, que permitiu a exportação de produtos florestais sem a necessidade de emissão de autorizações de exportação.

"Estima-se que o referido despacho, elaborado a pedido de empresas que tiveram cargas não licenciadas apreendidas nos EUA e Europa, resultou na regularização de mais de 8 mil cargas de madeira exportadas ilegalmente entre os anos de 2019 e 2020", informou a PF.

A Operação Akuanduba investiga crimes contra a administração pública, como corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e, especialmente, facilitação de contrabando, práticos por agentes públicos e empresários do ramo madeireiro.

Os policiais federais cumprem 35 mandados de busca e apreensão no DF e nos estados de São Paulo e Pará. Entre os endereços, estão a sede do Ibama, o Ministério do Meio Ambiente e os apartamentos de Salles, em São Paulo e em Brasília.

As investigações tiveram início em janeiro deste ano a partir de informações obtidas com autoridades estrangeiras, que noticiaram possível desvio de conduta de servidores públicos brasileiros no processo de exportação de madeira.