Após agressões de Jairinho, Monique conversou com vó de Henry sobre filho dormir no quarto do casal: “Quem ama tolera”

Redação Notícias
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Monique foi presa na semana passada - Foto: Agência Brasil
Monique foi presa na semana passada - Foto: Agência Brasil
  • Monique mandou foto de Henry dormindo no quarto do casal à mãe, Rosângela

  • A avó do garoto questionou, ao que a mãe respondeu: "Quem ama tolera"

  • Episódio aconteceu dias depois de Monique ser alertada pela babá das agressões de Jairinho ao filho

Menos de duas semanas antes da morte de Henry Borel, sua mãe, Monique Medeiros, conversou com a vó do garoto, Rosângela, sobre o fato de o filho dormir no quarto que ela dividia com o namorado, o vereador Dr. Jairinho. Em uma rápida troca de mensagens, obtida pelo jornal Extra, a mulher chega a dizer: “Quem ama tolera”.

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O diálogo aconteceu no dia 23 de fevereiro, 11 dias depois de Monique ser alertada em tempo real pela babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira, que o garoto estava sendo agredido por Jairinho.

Sem qualquer referência aos relatos de agressões feitas pelo próprio namorado ao filho, Monique enviou uma foto a Rosângela de Henry dormindo em uma cama improvisada no chão do quarto do casal. A avó do garoto comentou: “Toda criança é desse jeito. Seu irmão foi assim. O problema é o pai que tolera e aceita. E o tio?????”. Ao que e mulher respondeu: “Quem ama aceita e tolera”.

Troca de mensagens entre Monique e Rosângela - Foto: Reprodução
Troca de mensagens entre Monique e Rosângela - Foto: Reprodução

Monique e Jairinho foram presos na última quinta-feira por participação na morte de Henry. A polícia disse “não ter dúvida” de que Jairinho foi o responsável pelo óbito do garoto, e que Monique sabia das agressões do namorado ao filho.

O caso Henry Borel

Contra o casal Monique e Jairinho foram cumpridos mandados de prisão temporária por 30 dias, expedidos pela juíza Elizabeth Louro Machado, do II Tribunal do Júri da capital. Os dois são suspeitos de participação na morte do filho dela, Henry Borel Medeiros, durante a madrugada de 8 de março.

De acordo com as investigações, Jairinho agredia o menino com bandas, chutes e pancadas na cabeça e Monique tinha conhecimento disso, pelo menos, desde o dia 12 de fevereiro.

O inquérito aponta que menino chegou ao condomínio Majestic, no Cidade Jardim, levado pelo pai, o engenheiro Leniel Borel de Almeida, por volta de 19h20 do dia anterior. Monique teria dado banho no filho e o colocado para dormir no quarto que dividia com Jairinho. Por volta de 3h30, quando já tinham pego no sono após assistir uma série na televisão, a professora e o vereador disseram ter encontrado a criança caído no chão do cômodo, com pés e mãos gelados e olhos revirados.

Eles então levaram Henry para a emergência do Hospital Barra D’Or, onde as médicas garantem que Henry já chegou morto e com as lesões descritas nos laudos de necropsia. Os documentos mostram que ele sofreu hemorragia interna e laceração hepática e seu corpo apresentava equimoses, hematomas, edemas e contusões. Peritos ouvidos pelo Globo afirmam que os ferimentos não são compatíveis com um acidente doméstico.

Monique foi avisada das agressões de Jairinho ao filho - Foto: Agência Brasil
Monique foi avisada das agressões de Jairinho ao filho - Foto: Agência Brasil

Henry era "doce" e "tranquilo"

Na madrugada do dia 18 de março, o médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (Solidariedade), definiu seu enteado, Henry Borel Medeiros, filho da professora Monique Medeiros da Costa e Silva, como “doce” e “tranquilo”.

Ao prestar depoimento sobre a morte do menino, na 16a DP (Barra da Tijuca), o parlamentar negou ter sido processado criminalmente em seus relacionamentos anteriores e afirmou acreditar que sua ex-mulher, a dentista Ana Carolina Ferreira Netto, o tenha acusado de lesão corporal em “decorrência de ciúmes”.

Dr. Jairinho sendo levado pela polícia - Foto: Reprodução/TV Globo
Dr. Jairinho sendo levado pela polícia - Foto: Reprodução/TV Globo

Horas antes de chegar a 16ª DP (Barra da Tijuca), no último dia 17, Monique Medeiros da Costa e Silva trocou ao menos duas vezes de roupa até definir a combinação que usaria para prestar depoimento no inquérito que apura a morte do filho, Henry Borel Medeiros, de 4 anos. Fotos resgatadas em seu aparelho celular, apreendido há duas semanas, mostram que a professora experimentou um macacão preto, posou em frente ao espelho, e depois, depois de consultar um advogado, decidiu ir com um conjunto social branco.

Na delegacia, Jairinho confirmou as informações prestadas por Monique, que dão conta que eles acordaram, por volta de 3h30 do dia 8 de março e encontraram Henry caído no chão, com mãos e pés gelados e olhos revirados. O menino foi levado ao Hospital Barra D’Or, mas as médicas garantiram que ele já chegou morto a unidade de saúde e com as lesões descritas no laudo de necropsia.

A versão do casal

Ao ser questionada durante seu depoimento, Monique afirmou acreditar que ele possa ter acordado, ficado em pé sobre a cama, se desequilibrado ou até tropeçado no encosto da poltrona e caído no chão. Também na delegacia, Jairinho contou que, após ouvir os gritos da moça, caminhou até o quarto, colocou a mão no braço de Henry e notou que o menino estava com temperatura bem abaixo do normal e com a boca aberta, parecendo respirar mal.

Henry ao lado do pai, Leniel (Foto: Reprodução/redes sociais)
Henry ao lado do pai, Leniel (Foto: Reprodução/redes sociais)

O vereador disse que acreditou que Henry havia bronco-aspirado, mas seu quadro evoluía mal, já que no caminho para o hospital não respondeu à respiração boca a boca nem aos estímulos feitos por Monique. Jairinho contou que, apesar de ter formação em Medicina, nunca exerceu a profissão e a última massagem cardíaca que realizou foi em um boneco, durante a graduação.

Ao longo desse mês, o delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP, ouviu 17 testemunhas no inquérito que apura o caso, entre familiares, vizinhos e funcionários do casal. Uma ex-namorada de Jairinho relatou que ela e a filha sofreram agressões por parte do parlamentar. Os celulares e laptops dos dois e de Leniel foram apreendidos, passaram por perícias e uma reprodução simulada foi realizada.