Após ameaça de Bolsonaro, servidores da Anvisa repudiam tentativa de perseguição

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    38.º presidente do Brasil
BRAZIL - 2021/03/30: In this photo illustration, a medical syringe held with the National Health Surveillance Agency (Anvisa) company logo displayed on a screen in the background. (Photo Illustration by Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)
Anvisa aprovou vacina da Pfizer para crianças entre 5 e 11 anos (Foto: Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)
  • Servidores da Anvisa divulgaram nota repudiando ataques contra funcionários do órgão

  • Perseguições citadas aconteceram após início do debate sobre aprovação da vacina contra a covid-19 para crianças de 5 a 11 anos

  • Nota não cita Jair Bolsonaro, mas faz referência à sugestão do presidente de divulgar nomes dos servidores que aprovaram a vacina da Pfizer para crianças

A Associação dos Servidores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Univisa) repudiou os ataques direcionados a funcionários do órgão após a aprovação da vacina da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos. Sem citar o presidente Jair Bolsonaro (PL), que sugeriu divulgar os nomes dos servidores envolvidos na decisão, a Univisa citou ameaças sofridas pelos funcionários.

Em nota, o grupo elogiou o “trabalho técnico e incansável realizado pelo corpo de servidores da agência” e afirmou que o pano de fundo das críticas feitas aos funcionários da Anvisa tem “como pano de fundo um discurso negacionista e anticientífico – antagônico à boa técnica e às boas práticas regulatórias – servidores públicos foram ameaçados pelo regular exercício do seu dever funcional”.

Para os servidores, tal postura não é compatível com um regime democrático, “e que deveria inspirar a máxima atenção das autoridades competentes”.

“Nesse contexto, a intenção de se divulgar a identidade dos envolvidos na análise técnica não traz consigo qualquer interesse republicano. Antes, mostra-se como ameaça de retaliação que, não encontrando meios institucionais para fazê-lo, vale-se da incitação ao cidadão, método abertamente fascista e cujos resultados podem ser trágicos e violentos, colocando em risco a vida e a integridade física de servidores da Agência. Uma atitude que demonstra desprezo pelos princípios constitucionais da Administração Pública, pelas decisões técnicas da agência e pela vida dos seus servidores”, afirmaram os servidores em nota oficial.

Críticas de Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de liberar a vacinação de crianças de 5 a 11 contra a covid-19, com o imunizante da Pfizer. Durante a live que faz às quintas-feiras nas redes sociais, o presidente sugeriu a divulgação dos nomes dos técnicos da Anvisa que tomaram a decisão.

Na última quinta (16), Bolsonaro pediu os nomes dos funcionários da Anvisa, sob o argumento de que a população tem “direito de saber” quem foram os responsáveis pela aprovação.

“Deixar bem claro isso, não interfiro lá. Pedi extra-oficialmente o nome das pessoas que aprovaram a vacina para crianças a partir de 5 anos. Nós queremos divulgar o nome dessas pessoas para que todo mundo tome conhecimento quem são essas pessoas e forme o seu juízo.”

O presidente ainda leu algumas das recomendações feitas pela Anvisa, pedindo para que pais e responsáveis procurem um médico caso as crianças sintam efeitos adversos da vacina, como falta de ar, palpitações ou dores no peito.

“Não sei se são diretores e o presidente que chegaram a essa conclusão ou o tal do corpo técnico. Mas seja qual for, você tem direito a saber o nome das pessoas que aprovaram a vacina a partir de 5 anos para seu filho. E você decida se essa vacina se compensa ou não”, disse Bolsonaro durante a transmissão.

Leia a nota completa da Univisa:

"Diante da aprovação do uso da vacina Comirnaty (Pfizer) para imunização contra Covid-19 em crianças de 5 a 11 anos de idade, a Univisa vem a público para, mais uma vez, reconhecer o trabalho técnico e incansável realizado pelo corpo de servidores da agência. Ressalte-se a celeridade na tramitação e o rigor técnico da análise que, além dos especialistas em regulação e vigilância sanitária da Anvisa, contou com a participação especialistas da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Recentemente, com os rumores de possível decisão nesse teor, diretores e servidores da Anvisa sofreram ameaças. Tendo como pano de fundo um discurso negacionista e anticientífico – antagônico à boa técnica e às boas práticas regulatórias – servidores públicos foram ameaçados pelo regular exercício do seu dever funcional. Algo extremamente incompatível com o regime democrático e que deveria inspirar a máxima atenção das autoridades competentes.

Nesse contexto, a intenção de se divulgar a identidade dos envolvidos na análise técnica não traz consigo qualquer interesse republicano. Antes, mostra-se como ameaça de retaliação que, não encontrando meios institucionais para fazê-lo, vale-se da incitação ao cidadão, método abertamente fascista e cujos resultados podem ser trágicos e violentos, colocando em risco a vida e a integridade física de servidores da Agência. Uma atitude que demonstra desprezo pelos princípios constitucionais da Administração Pública, pelas decisões técnicas da agência e pela vida dos seus servidores.

A Univisa repudia qualquer ameaça proferida contra o corpo técnico da Anvisa, bem como a quaisquer tentativas de intervenção sobre o posicionamento da autoridade sanitária que não advenham do debate estritamente científico e democrático. Além disso, a Associação se solidariza com aquelas e aqueles que, extenuados pela carga de trabalho imposta pela pandemia, veem-se ainda perturbados e constrangidos por ameaças. Fato que se torna mais grave quando parte das autoridades que possuem o dever de zelar pela paz, pela saúde pública e pelo cumprimento das decisões da Administração.

Diretoria Univisa"

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