Após anúncio de atraso, Doria critica ataques de Guedes e Bolsonaro contra China: 'Impactam na liberação das vacinas'

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Sao Paulo Governor Joao Doria attends a press conference presenting an experimental COVID-19 vaccine that is being tested in partnership with China's pharmaceutical company Sinovac in Sao Paulo, Brazil, Monday, Nov. 9, 2020. (AP Photo/Andre Penner)
A declaração foi dada logo após o Instituto Butantan realizar, nesta quinta-feira (6) pela manhã, a entrega de um milhão de doses da Coronavac ao governo de São Paulo, mas já avisando que atrasará a próxima liberação de insumos (Foto: AP Photo/Andre Penner)
  • O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), criticou os ataques do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do ministro da Economia, Paulo Guedes, à China e "ao povo chines"

  • A declaração foi dada logo após o Instituto Butantan avisar que atrasará a próxima liberação de insumos da CoronaVac

  • O diretor do Butatan, Dimas Covas, considera que a mudança é uma decisão não da Sinovac, mas do governo chinês, talvez em retaliação às declarações recentes de Bolsonaro e sua cúpula

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), criticou os sucessivos ataques do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do ministro da Economia, Paulo Guedes, à China e "ao povo chines". Doria destacou que as declarações "desastrosas" impactam no processo de liberação de insumos para a vacina contra a Covid-19 no Brasil

"Registro profunda preocupação com sucessivas manifestações de ataques à China e ao povo chinês, pelo Ministro Paulo Guedes e presidente Bolsonaro. As declarações desastrosas impactam na liberação dos insumos para produção das vacinas contra Covid-19 no Brasil. Lamentável", escreveu Doria no Twitter.

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A declaração foi dada logo após o Instituto Butantan realizar, nesta quinta-feira (6) pela manhã, a entrega de um milhão de doses da Coronavac ao governo de São Paulo, mas já avisando que atrasará a próxima liberação de insumos

Segundo o diretor do instituto, Dimas Covas, a culpa do adiamento é do governo de Jair Bolsonaro (sem partido)."Pode faltar (insumos)? Pode faltar. E aí, nós temos que debitar isso principalmente ao nosso governo federal que tem remado contra", declarou Covas.

Ele considera que a mudança é uma decisão não da Sinovac, mas do governo chinês, talvez em retaliação às declarações recentes de Bolsonaro e sua cúpula.

O Butantan esperava para a primeira quinzena de maio a chegada de um lote de 6 mil litros de IFA da China, mas Covas disse que a expectativa é que somente 2 mil litros cheguem ao País até o dia 13.

Com a entrega desta quinta, o Butantan enviou 43,05 milhões de doses da CoronaVac ao PNI. De acordo com dados do Ministério da Saúde, a CoronaVac responde atualmente por 75,3% das vacinas contra Covid-19 já aplicadas no Brasil.

Bolsonaro volta a atacar China

Nesta quarta-feira (5), em um pronunciamento exaltado e repleto de declarações controversas, Bolsonaroinsinuou que o novo coronavírus pode ter sido criado pela China. Sem citar o nome do país, levantou, ainda, a possibilidade de a suposta elaboração da Covid-19 fazer parte de uma nova guerra.

"É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em um laboratório ou nasceu por algum ser humano ingerir um animal inadequado. Mas está aí. Os militares sabem que é uma guerra química bacteriológica e radiológica. Será que estamos enfrentando uma nova guerra? Qual país que mais cresceu seu PIB? Não vou dizer para vocês”, declarou o presidente. 

No mês passado, o ministro Paulo Guedes, durante encontro do Conselho de Saúde Complementar, disse que o coronavírus foi criado na China e ainda criticou a eficácia da CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês SinoVac. “O chinês inventou o vírus, e a vacina dele é menos efetiva do que a do americano”, declarou sem saber que estava sendo filmado.

Ao descobrir que estava gravando, o ministro da Economia pediu: “Só não manda para o ar, por favor”. No entanto, a transmissão era ao vivo. Minutos depois, o vídeo foi retirado do ar.

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Pedido de desculpas

Na noite do mesmo dia, 27 de abril, Guedes disse que a declaração havia sido uma “imagem infeliz”. “Quis dar a importância ao setor privado de como consegue produzir respostas. Então mesmo um vírus desconhecido que veio de fora, eles conseguiram fazer uma vacina que parece mais eficaz ainda do que a da própria região que saiu o vírus. Foi só essa imagem que eu quis usar", explicou.

O próprio Paulo Guedes foi vacinado com a CoronaVac e já tomou as duas doses. "Nós somos muito gratos à China por ter nos enviado vacina. Eu tomei a CoronaVac, tomei a primeira dose 30 dias atrás e a segunda dose neste domingo, então eu não vou falar mal da vacina", afirmou.

Guedes ainda disse que as declarações não tiveram “nenhum objetivo” e declarou que o novo ministro das Relações Exteriores, Carlos Alberto França, entraria em contato com autoridades chinesas para desfazer o “mal entendido”.

"Brasil está virando um hospício"

A fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, que coloca os chineses como “fabricantes” do novo coronavírus, causou indignação na Frente Parlamentar Brasil-China.

No dia seguinte a declaração, em 28 de abril, o presidente da Frente Parlamentar, deputado federal Fausto Pinato (PP-SP), afirmou que a declaração do ministro pode causar estranhamento na relação diplomática entre os países, o que pode prejudicar a luta pela erradicação da Covid-19, além de parcerias comerciais.

“O país está virando um hospício”. “Guedes vestiu a fantasia do Bolsonaro e rasga sua biografia para se manter no cargo. É uma catástrofe”, declarou Pinato ao site Congresso em Foco.

Brazil's President Jair Bolsonaro, right, talks with his Economy Minister Paulo Guedes during a ceremony at the Planalto presidential palace, in Brasilia, Brazil, Thursday, Nov. 26, 2020 (AP Photo/Eraldo Peres)
A fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, que coloca os chineses como “fabricantes” do novo coronavírus, causou indignação na Frente Parlamentar Brasil-China (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)

“China é o principal fornecedor das vacinas ao Brasil"

No mesmo dia, a embaixada chinesa no Brasil também se pronunciou contra a fala de Guedes, ressaltando que a China é a principal fornecedora de vacinas contra a Covid-19 para o Brasil.

“Até o momento, a China é o principal fornecedor das vacinas e os insumos ao Brasil, que respondem por 95% do total recebido pelo Brasil e são suficientes para cobrir 60% dos grupos prioritários na fase emergencial”, apontou o embaixador da China do Brasil, Yang Wanming.

Família Bolsonaro fez vários ataques à China

Esta não é a primeira vez que a família Bolsonaro faz críticas diretas à China. No ano passado, Jair questionou em diversas oportunidades a qualidade da vacina CoronaVac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac.

Já seu filho Eduardo (PSL-SP) tem chamado a Covid-19 de “vírus chinês”. Além disso, o deputado acusou o governo da China de querer espionar o mundo por meio de equipamentos para rede de comunicações 5G.

Butantan deve atrasar entrega de novo lote da Coronavac e culpa Bolsonaro

O Butantan realizou nesta quinta-feira (6) pela manhã a entrega de um milhão de doses da Coronavac ao governo de São Paulo, mas já avisou que atrasará a próxima liberação de insumos. E segundo o diretor do instituto, a culpa é do governo do adiamento é do governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

O diretor explicou que a liberação de insumos para a produção da Coronavac foi adiada de segunda para quinta-feira que vem. E o volume, que seria de seis mil litros, agora será de dois mil. 

"Todas as declarações neste sentido têm repercussão. Nós já tivemos um grande problema no começo do ano e estamos enfrentando de novo esse problema", afirmou.

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