Após ataques, Bolsonaro faz live sem citar STF e compara governo com gestão petista

(Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
(Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
  • A CPI da Pandemia, outro alvo constante de críticas do presidente, também recebeu pouco destaque;

  • Na live desta quinta, Bolsonaro escalou o presidente da Caixa, Pedro Guimarães;

  • Bolsonaro citou o investimento feito pelo BNDES em obras no exterior.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pautou sua live semanal nesta quinta-feira (19) em uma defesa das ações do governo federal e nas críticas às gestões do PT – em particular, ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu potencial adversário nas eleições presidenciais de 2022.

Depois de semanas com retórica agressiva em defesa do voto impresso e com ataques nominais a ministros do Supremo Tribunal Federal – particularmente, Alexandre de Moraes e Luis Roberto Barroso –, Bolsonaro não fez nenhuma citação do tipo na live desta semana.

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A CPI da Pandemia no Senado, outro alvo constante de críticas do presidente nas últimas, também recebeu pouco destaque. Questionado por um jornalista simpático ao governo sobre as quebras de sigilo requeridas pela Comissão Parlamentar de Inquérito nesta quinta, Bolsonaro devolveu: "Quebra de sigilo de 180 pessoas? Baseado no quê? Pelo que sei, para pedir a quebra de sigilo, tem que ter uma motivação. Será que eu estou nesse bolo aí? Se bobear, eu tô", ironizou.

Em seguida, Bolsonaro disse que a quebra de sigilo pode ser "um constrangimento para inocentes" e que os senadores da oposição "tentaram achar, de toda maneira, corrupção no meu governo, e não acharam".

"[O governo] Não pagou 1 real pra Covaxin, não achou uma ampola. 'Ah, mas tinha vontade! Vou julgar as pessoas porque tinha vontade?", disse, sobre a denúncia de irregularidades na carta de intenção de compra da vacina indiana Covaxin. "Se alguém lá no ministério [da Saúde] tinha vontade de faturar... vontade é uma coisa, botar no papel e fazer é outra, completamente diferente", afirmou. "Estamos há dois anos e sete meses sem corrupção."

Ataques às gestões do PT

Na live desta quinta, Bolsonaro escalou o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, no mesmo dia em que o banco estatal anunciou ter obtido um lucro de R$ 10,8 bilhões no primeiro semestre de 2021. Guimarães e Bolsonaro exaltaram as ações da instituição e posicionaram o atual governo como um contraponto às gestões petistas.

O presidente da Caixa citou investigações antigas da Polícia Federal e do Ministério Público que teriam comprometido o balanço financeiro da instituição. Segundo Guimarães, houve empréstimos para empresas, "normalmente grandes", que nunca foram pagos.

"Ou, pior ainda, investiram em empresas que normalmente quebram. Todas essas análises foram de indício claríssimo de fraudes que levaram a prisões e investigações. Mas isso foi de 2004 a 2017, e estamos levando ao conhecimento de vocês agora", disse Guimarães.

"É notícia antiga, mas estamos agora detalhando, mostrando como essas instituições eram usadas", acrescentou Bolsonaro – que, além da Caixa, fez referências também à Petrobras e ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Antes disso, Bolsonaro citou o investimento feito pelo BNDES em obras no exterior, listando países de esquerda que eram aliados do PT, como Venezuela e Cuba, para reforçar as críticas. Segundo ele, a Venezuela deve ao Brasil U$ 1,5 bilhão do que foi emprestado na época. "É quase 8 bilhões de reais", disse o presidente, convertendo o valor de acordo com a atual cotação do dólar, que está acima de R$ 5. "É o orçamento do Tarcísio [Gomes de Freitas, ministro da Infraestrutura]."

Ele também afirmou que, com esse dinheiro, Rogério Marinho, ministro do Desenvolvimento Regional, "concluiria em poucos meses a transposição do rio São Francisco". "Deixaria de faltar água no Nordeste. Mas o governo do PT investiu lá fora. Podia ter levado água pro Nordeste e não fez", criticou Bolsonaro.

"O pessoal fala que eu tô concluindo obra do PT. É verdade. Obra parada há 10 anos. Agora, obra lá fora, todas foram concluídas. Porto de Mariel [em Cuba], rodovias, aeroportos na América Latina. Parabéns ao PT, fez obras maravilhosas fora do Brasil", ironizou.

"Se Lula voltar, essa turma volta"

Questionado sobre se esses "desacertos" poderiam voltar às estatais caso houvesse uma mudança no governo, Guimarães respondeu não ter "nenhuma dúvida de que volta tudo". "Isso aconteceu durante muitos anos", disse o presidente da Caixa.

Bolsonaro, por sua vez, lembrou que José Dirceu foi ministro da Casa Civil de Lula, cargo que também foi ocupado por Dilma Rousseff antes de ela suceder o petista na Presidência. "Se Lula voltar, essa turma volta", disse Bolsonaro, lembrando que Dirceu foi afastado da Casa Civil na esteira do escândalo dos Correios, em 2005. O caso, depois, se desdobraria na investigação sobre o mensalão petista.

No fim, Pedro Guimarães disse que "agora não tem" casos do tipo no governo federal e fez uma defesa enfática do presidente. "Parece que as pessoas esqueceram o que acontecia no passado. Essa é uma maneira clara de diferenciar o governo Bolsonaro dos anteriores. E zero chance de qualquer desvio. O presidente não deixa, não gosta e qualquer pessoa que fala isso tá mentindo", afirmou o presidente da Caixa.

"Minha missão é buscar o melhor para o Brasil e não vou admitir práticas antigas", acrescentou Bolsonaro.