Após Butatan, Fiocruz também paralisa produção de vacinas contra a Covid nesta sexta

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RIO DE JANEIRO, BRAZIL - MAY 05: A health personnel wearing face mask administers a dose of Covid-19 vaccine in Ramos, northern part of the Rio de Janeiro in Brazil on May 05, 2021. Brazil records 1,054 more death, rising the toll to 408,829 as 36,524 new cases confirmed in the last 24 hours. (Photo by Fabio Teixeira/Anadolu Agency via Getty Images)
De acordo com a fundação, a previsão é que um carregamento de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) chegue neste sábado (22). Com isso, a produção recomeçaria na terça-feira (25) (Foto: Fabio Teixeira/Anadolu Agency via Getty Images)
  • A Fiocruz interrompeu, na noite desta quinta-feira (20), a produção da vacina Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19 por falta de insumos

  • De acordo com a fundação, a previsão é que um carregamento de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) chegue neste sábado (22). Com isso, a produção recomeçaria na terça-feira (25)

  • Segundo comunicado, a interrupção temporária da produção de imunizantes contra a Covid-19 não deverá impactar entregas futuras

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) interrompeu, na noite desta quinta-feira (20), a produção da vacina Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19 por falta de insumos.

De acordo com a fundação, a previsão é que um carregamento de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) chegue neste sábado (22). Com isso, a produção recomeçaria na terça-feira (25).

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Nesta sexta (21), a Fiocruz deve entregar mais 5,3 milhões de doses da vacina ao Ministério da Saúde. Com a nova remessa, a fundação vai bater a marca de 40 milhões de doses entregues como parte do Programa Nacional de Imunizações (PNI).

A AstraZeneca e a CoronaVac são as duas únicas vacinas do PNI, do Ministério da Saúde, produzidas no Brasil — a vacina da Pfizer é importada dos Estados Unidos.

Segundo comunicado da Fiocruz, a interrupção temporária da produção de imunizantes contra a Covid-19 não deverá impactar entregas futuras. 

"O cronograma de entregas permanece semanal, sempre às sextas-feiras, conforme pactuado com o Ministério da Saúde, seguindo a logística de distribuição definida pela pasta".

Butantan suspende totalmente produção de vacinas

Nesta sexta-feira (14), o Instituto Butantan entregou mais 1,1 milhão de doses da CoronaVac, vacina contra a covid-19 produzida pelo instituto em parceria com o laboratório chinês SinoVac

A entrega já faz parte do segundo contrato do Instituto Butantan com o governo federal, de 54 milhões de doses que deveriam ser entregues até o dia 30 de agosto. O primeiro lote, de 46 milhões de doses, foi finalizado no último dia 12.

No entanto, após essa entrega, o Butantan suspendeu totalmente a produção do imunizante por falta de matéria-prima. Segundo o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), a SinoVac tem um lote de 10 mil litros de Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) reservado para mandar ao Brasil, mas aguarda liberação do governo da China. Com esse contingente, seria possível produzir 18 milhões de doses da vacina.

Como consequência da falta de vacinas, pelo menos 15 estados brasileiros suspenderam a aplicação da CoronaVac, seja da primeira ou da segunda dose.

RIO DE JANEIRO, BRAZIL - JANUARY 23: Researchers Sarah Ananda Gomes (L), Estevao Portela (C) and Margareth Dalcolmo (R) stand in line as the first healthcare workers to receive the dose of the Astrazeneca/Oxford vaccine at the Osvaldo Cruz Foundation (FIOCRUZ) on January 23, 2021 in Rio de Janeiro, Brazil. Brazil imported 2 million doses of the vaccine, developed by Serum laboratory, in India. (Photo by Andre Coelho/Getty Images)
Segundo comunicado da Fiocruz, a interrupção temporária da produção de imunizantes contra a Covid-19 não deverá impactar entregas futuras (Foto: Andre Coelho/Getty Images)

China reduz quantidade de matéria-prima

O instituto aguarda a liberação pelo governo chinês de um lote com 10 mil litros de IFA, o equivalente a 18 milhões de doses, para retomar a produção. De acordo com o governo, a previsão inicial de entrega de 4 mil litros era para a próxima quarta-feira (26).

Porém, o laboratório chinês Sinovac reduziu em mil litros a previsão de entrega da matéria-prima da vacina esperada pelo Instituto Butantan para retomar a produção da CoronaVac.

Em vez dos 4 mil litros de ingrediente farmacêutico ativo planejados pelo governo paulista para o dia 26, devem desembarcar apenas 3 mil de litros em São Paulo, o que é suficiente para fabricar 5 milhões de doses do imunizante.

A partir do momento da chegada da matéria-prima, o Butantan leva 20 dias para entregar a vacina envasada para o Ministério da Saúde. A cadeia de produção da CoronaVac está parada desde o dia 14, quando foi entregue o último lote do imunizante.

Atraso motivado pelas declarações de Bolsonaro

O governador João Doria (PSDB) tem dito que o atraso na entrega da matéria-prima é motivada pelas declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e de seus filhos sobre a China consideradas agressivas. O governo federal nega.

Na semanada passada, em um pronunciamento exaltado e repleto de declarações controversas, Bolsonaro insinuou que o novo coronavírus pode ter sido criado pela China. Sem citar o nome do país, levantou, ainda, a possibilidade de a suposta elaboração da Covid-19 fazer parte de uma nova guerra.

Questionado sobre o assunto no último domingo, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que Bolsonaro tem "excelente relação" com a China e outros países parceiros.

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