Após conflito com militares, Aziz diz que criticou 'alguns do governo' e não as Forças Armadas

·3 minuto de leitura
Brazilian Senator Omar Aziz gestures during a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil June 15, 2021. REUTERS/Adriano Machado
Aziz ainda relembrou que não teria duvidado em momento algum quando os militares afirmaram que o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, teria que realizar uma quarentena por ter tido contato com servidores com Covid-19 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
  • O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou nesta quinta-feira (8) que criticou "alguns que estão a serviço do governo" e não as Forças Armadas

  • Aziz ainda relembrou que não teria duvidado em momento algum quando os militares afirmaram que o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, teria que realizar uma quarentena

  • Após as declarações do senador, o ministro da Defesa, Braga Netto, e os comandantes das Forças Armadas divulgaram uma nota em que repudiam o posicionamento de Aziz

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou nesta quinta-feira (8) que criticou "alguns que estão a serviço do governo" e não as Forças Armadas. 

"Não misturei as Forças Armadas com alguns que estão a serviço desse governo. Tanto é que quando o general Pazuello esteve aqui, podem procurar no depoimento, eu o chamo de ex-ministro da Saúde", disse Aziz.

Leia também:

Aziz ainda relembrou que não teria duvidado em momento algum quando os militares afirmaram que o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, teria que realizar uma quarentena por ter tido contato com servidores com Covid-19. O depoimento de Pazuello na CPI chegou a ser remarcado por conta disso.

"General Paulo Sérgio é testemunha que quando entrou em contato comigo dizendo que o Pazuello tinha estado com contato com pessoas que tinham Covid, ele pediu 14 dias para vir depor, na mesma hora eu disse que sim", completou.

Na sessão de ontem, o presidente da comissão criticou o envolvimento de integrantes das Forças Armadas em casos suspeitos de irregularidades no Ministério na Saúde. A fala aconteceu durante depoimento do ex-diretor do Departamento de Logística da pasta, Roberto Ferreira Dias.

Aziz disse que "os bons das Forças Armadas devem estar muito envergonhados com algumas pessoas que hoje estão na mídia, porque fazia muito tempo, fazia muitos anos que o Brasil não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do Governo”.

"Eu não tenho nem notícia disso [corrupção] na época da exceção que houve no Brasil, porque o Figueiredo morreu pobre, porque o Geisel morreu pobre, porque a gente conhecia. (...) Uma coisa de que a gente não os acusava era de corrupção, mas, agora, Força Aérea Brasileira, Coronel Guerra, Coronel Elcio, General Pazuello e haja envolvimento de militares", concluiu.

BRASILIA, BRAZIL - MARCH 31: Brazil's Defense Minister General Walter Souza Braga Neto (2L) poses with newly appointed Navy commander Admiral Almir Garnier (R), Army commander General Paulo Sergio (3L) and Air Force commander Brigadier Carlos de Almeida Baptista Jr (L) during their presentation as new commanders for Brazil's Armed Forces at the Ministério da Defesa on March 31, 2021 in Brasilia, Brazil. President of Brazil Jair Bolsonaro announced on Monday March 28 six changes in his Cabinet that include the commanders in the three military institutions. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)
Após as declarações do senador, o ministro da Defesa, Braga Netto, e os comandantes das Forças Armadas divulgaram uma nota em que repudiam o posicionamento de Aziz (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)

Ministério da Defesa divulgou nota de repudio

Após as declarações do senador, o ministro da Defesa, Braga Netto, e os comandantes das Forças Armadas divulgaram uma nota em que repudiam o posicionamento de Aziz.

Na nota, compartilhada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nas redes sociais, Braga Netto e os comandantes afirmam que o parlamentar, em sua fala, desrespeitou as Forças Armadas e generalizou esquemas de corrupção.

"Essa narrativa, afastada dos fatos, atinge as Forças Armadas de forma vil e leviana, tratando-se de uma acusação grave, infundada e, sobretudo, irresponsável", dizem os militares no comunicado. Eles afirmam ainda que as instituições militares no país são fator "essencial de estabilidade" e pautam-se pela observância da lei e pelo equilíbrio.

"As Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro", diz a nota.

Aziz vê tentativa de intimidação

Em um primeiro momento, o presidente da comissão também rebateu e considerou que a nota era uma tentativa de intimidá-lo. Aziz esclareceu, ainda, que sua declaração era destinada a alguns integrantes das Forças Armadas atuantes no governo, e não a toda instituição.

"Minha fala hoje foi pontual, não foi generalizada. E vou afirmar aqui o que eu disse lá na CPI, novamente: podem fazer 50 notas contra mim; só não me intimidem, porque, quando estão me intimidando, e vossa excelência não falou isto. Estão intimidando esta Casa aqui. Vossa excelência não se referiu à intimidação que foi feita pela nota das Forças Armadas”, apontou.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos