Após definição no Uruguai, direita consolida hegemonia sobre a esquerda na América Latina

Foto: AP Photo/Matilde Campodonico

O Tribunal Eleitoral do Uruguai declarou Luis Lacalle Pou vencedor das eleições presidenciais ocorridas no último domingo (24) no país. O advogado foi eleito por uma coalizão conservadora, que reúne vários partidos, incluindo até uma legenda de extrema direita.

A vitória de Pou, 46 anos, decreta o fim do governo esquerdista do Frente Ampla, partido de Pepe Mujica que comandou o país por 15 anos.

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Diferentemente de quando Alberto Fernández, político de centro-esquerda, venceu o pleito na Argentina, Jair Bolsonaro, ferrenho crítico de governos de esquerda, cumprimentou o candidato eleito no Uruguai.

O ano de 2019 foi de muita ebulição política na América Latina. Confira como está o panorama político dos nossos vizinhos:

Argentina (esquerda)

Alberto Fernández, considerado um peronista moderado, venceu em primeiro turno o neoliberal e atual presidente Mauricio Macri no fim de outubro. Fernández, que terá Cristina Kirchner como vice, é advogado e professor. Jair Bolsonaro se recusou a cumprimentar o peronista.

Fernandez é considerado peça fundamental na candidatura presidencial do marido de Cristina, Néstor Kirchner, lançada em 2003 em oposição à corrente peronista mais à direita que governou a Argentina na década de 90, personificada na figura de Carlos Menem, que realizou diversas reformas neoliberais no país e abriu o capital para estrangeiros.

Bolívia (direita)

Foto: AP Photo/Juan Karita

Após vitória de Evo Morales nas eleições, o país mergulhou em uma crise institucional sem precedentes. Forças Armadas e a polícia boliviana pediram a renúncia de Evo, que deixou o cargo no dia 10 de novembro e está no México em asilo político.

Jeanine Áñez, segunda vice-presidente do Senado, se autoproclamou presidente do país depois da renúncia de cinco autoridades. Atualmente, forças militares reprimem manifestações populares e comando atual do país é formado por militares e conservadores religiosos.

Chile (direita)

O governo liberal de Sebastián Piñera levou o Chile a um colapso. Saques, incêndios e confrontos constantes por todo o país entre manifestantes e uma polícia cansada e questionada elevam a tensão e enfraquecem a gestão do presidente após seis semanas de protestos.

Nenhuma medida social - como um aumento de 50% no valor básico da aposentadoria para todos os beneficiários em dois anos - nem o acordo político histórico para mudar a Constituição herdada da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) conseguiram baixar os níveis de tensão no país, onde 23 mortos, milhares de feridos e danos gigantescos no comércio, patrimônios históricos e edifícios públicos foram relatados desde o início dos protestos.

Colômbia - (direita)

País é governado pelo conservador Iván Duque desde agosto de 2018. O advogado pertence ao partido Centro Democrático e foi apoiado pelo seu antecessor Álvaro Uribe.

Duque foi eleito com um discurso moderado, focado na recuperação econômica do país. Ele prometeu limitar as reformas durante a campanha.

Equador - (direita)

Foto: AP Photo/Fernando Vergara

O país passou por uma onda de protestos devido às reformas econômicas e trabalhistas que abalaram a popularidade do presidente Lenin Moreno.

Manifestações violentas começaram por todo o país depois que presidente cortou subsídios dos combustíveis. Houve greve nacional e cargo de Moreno está ameaçado.

Paraguai - (direita)

Atual presidente do país desde 2018, Mario Abdo Benítez é um empresário, político e paraquedista militar. Ele também ocupou o posto de Senador no país.

Adbo Benítez é constantemente criticado por ter relação próxima com a ditadura militar de Alfredo Stroessner, regime cruel e sanguinário, elogiado algumas vezes por Jair Bolsonaro. Ele conhecido por beneficiar grandes latifundiários em seu governo.

Peru - (direita)

Em 2018, depois da renúncia do presidente Pedro Pablo Kuczynski, Martín Vizcarra foi efetivado presidente do país. Em setembro de 2019, durante uma crise nacional, Vizcarra dissolveu o parlamento e iniciou uma grave crise no país. Ao final, ele ganhou a queda de braço com o Congresso.

Vizcarra, assolado pelos escândalos de corrupção envolvendo a Odebrecht e outros ex-presidente, enfrenta constantemente uma forte oposição. Ele é tido como um conciliador e desde 2015 ocupa os quadros do partido de centro-direita.

Venezuela - (esquerda)

Foto: AP Photo/Matias Delacroix

Nicolas Maduro é o presidente do país em crise há mais tempo no continente. Depois de uma grave crise humanitária, Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional, se autoproclamou presidente, mas não conseguiu destituir Maduro.

No poder desde 2003, Maduro lida com uma situação caótica frente a um país que possui uma economia em frangalhos e vítima de uma hiperinflação que dizima a população.