Após denúncia do Yahoo, Itamaraty tira do ar conteúdo ideológico

João de Mari
·3 minuto de leitura
Conteúdo aborda temáticas criticando o MST, o aborto, o ex-presidente Lula (Foto: Reprodução/Itamaraty)
Conteúdo aborda temáticas criticando o MST, o aborto, o ex-presidente Lula (Foto: Reprodução/Itamaraty)

O Itamaraty tirou do ar um material didático com críticas ideológicas e ataques a movimentos sociais. O conteúdo estava disponível no site oficial do Ministério das Relações Exteriores e era usado como apostila para estrangeiros que querem aprender a língua portuguesa e a cultura brasileira. No entanto, após denúncia do Yahoo! Notícias, na terça-feira (14), o conteúdo foi removido.

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Com três volumes disponíveis, o conteúdo do livro Só Verbos, que estava na página online do ministério, aborda temáticas criticando o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), o aborto, o ex-presidente Lula e até a pessoas que usam cabelos não alisados.

Após publicação da reportagem, na terça-feira (14), o Itamaraty admitiu que o material não estava de acordo com a conduta do órgão e o tirou do ar.

“Por não se coadunar com as diretrizes estabelecidas pelos referidos guias curriculares, o material em apreço será prontamente retirado da página eletrônica da ‘Rede Brasil Cultural’”, afirmou a pasta, referindo-se ao site do conjunto de instituições do Ministério das Relações Exteriores do Brasil para a promoção da língua portuguesa.

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O órgão ainda disse que não oferece material didático padronizado à sua rede de Centros Culturais Brasileiros e Núcleos de Ensino de Português no exterior, instituições ligados às embaixadas brasileira, espalhados em quatro continentes do mundo. No entanto, o conteúdo estava em seu site em uma área destinada justamente para o ensino da língua e difusão da cultura brasileira.

Segundo o Itamaraty, o conteúdo é datado de 2013. “O material didático, comercializado por empresa privada, foi submetido por terceiros ao repositório de material didático da Rede Brasil Cultural em 2013, ou seja, há sete anos”, informou.

Acontece que os relatos de pessoas que utilizam o site e o os guias curriculares diariamente sobre nunca antes terem visto o conteúdo na página do Ministério das Relações Exteriores só apareceram na terça-feira (14).

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Além disso, a professora responsável por elaborar o material didático afirma que autorizou o Itamaraty a disponibilizar gratuitamente o conteúdo. “Achei que estivesse fazendo um bem ao ensino da nossa língua”, conta ela, que desenvolveu o material para usá-lo em suas aulas. Segundo ela, os exemplos usados eram sobre notícias que “líamos todos os dias no jornal”.

Porém, ela ainda revela que o material foi cedido ao Ministério das Relações Exteriores muito antes do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “Está lá há muitos anos, e, agora, vejo meu nome envolvido numa discussão sobre ideologia”, disse em mensagem enviada à reportagem.

“Quem me conhece sabe que não me envolvo nesse tipo de discussão, nem faço campanha pra um lado ou outro. Não gostaria de ter meu nome vinculado nem a Dilma (presidenta quando o Itamaraty me pediu a liberação) nem a Bolsonaro”, finaliza.

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