Após desmentir acusações na CPI, Luis Miranda vai a cartório “comprovar” que áudio é de 2020

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  • Após desmentir acusações na CPI, Luis Miranda vai a cartório “comprovar” que áudio é de 2020

  • Mais cedo, Luiz Paulo Dominguetti, vendedor da Davati Medical Supply, afirmou que a empresa foi procurada pelo deputado federal para negociar vacinas

  • Minutos depois, o empresário Cristiano Alberto Carvalho, representante da empresa Davati Medical Supply no Brasil, desmentiu o vendedor e disse Dominguetti quer "aparecer"

Após a Davati Medical Supply no Brasil negar que o áudio do deputado Luis Claudio Miranda (DEM-DF), recebido por ele e divulgado na CPI da Covid por Luiz Paulo Dominguetti, tratasse da negociação de vacinas, o deputado disse nesta quinta-feira (1º) que irá a um cartório, em Brasília, para "comprovar" a versão.

A ideia de Miranda, segundo ele relatou ao jornal Metrópoles, é "comprovar" que os áudios das trocas de mensagens que supostamente provariam suas negociação para adquirir vacinas com a empresa Davati teriam sido enviados em "outubro de 2020" e se tratavam de aquisição de luvas a serem comercializadas para cliente nos Estados Unidos — não vacinas, como acusou Dominguetti.

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“Eu estou no cartório agora, da Asa Norte, fazendo uma ata notorial dessas conversas, para comprovar que a relação é lá de setembro, de setembro e outubro de 2020. Tratava-se de uma aquisição de luvas para o mercado interno americano”, disse parlamentar.

Miranda ainda afirmou que o registro cartorial será o primeiro passo para fundamentar um pedido de prisão contra o representante comercial na CPI. Dominguetti está depondo na comissão nesta quinta-feira (1º).

De acordo com o deputado Miranda, toda a conversa será transcrita. Ele alega que manteve as mensagens arquivadas até hoje por não "ter rabo preso".

“Eu nunca deleto, porque não tenho rabo preso, diferente deles, né? Eu tenho como comprovar tudinho aqui agora. Vou fazer a ata notorial e já retorno para pedir a prisão do cara para a CPI”, disse.

Dominguetti acusou Miranda de tentar negociar vacinas

Mais cedo, Dominguetti, vendedor da Davati Medical Supply, afirmou que a empresa foi procurada pelo deputado federal Luis Miranda para negociar vacinas. A declaração foi dada durante depoimento à CPI da Covid.

A negociação não foi feita entre os dois, mas que o deputado teria tentado, de forma insistente, comprar vacinas da Davati.

"O que acontece, excelência, muita gente me ligava dizendo 'eu posso isso', 'eu posso aquilo', mas eu nunca quis avançar nessa ceara porque esse 'eu posso isso, eu conheço fulano' já tinha tido um processo todo doloroso dento do Ministério. Eu, particularmente, nem a Davati, queria vivenciar isso novamente. Agora, que eu tenho a informação que parlamentar tentou negociar busca de vacina diretamente com a Davati, eu tenho essa informação", afirmou Dominguetti.

Brazilian Federal Deputy Luis Miranda leaves a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil July 1, 2021. REUTERS/Adriano Machado
O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), relevou que conversou com o deputado federal e este afirmou que o áudio era de 2020 e não tratava de imunizantes (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Ele reproduziu um áudio que supostamente comprovaria sua versão. No entanto, reproduzida na CPI por três vezes, a fala do deputado não se refere a vacinas, mas a "produtos".

Representante de empresa desmente acusação 

Minutos depois da acusão, o empresário Cristiano Alberto Carvalho, representante da empresa Davati Medical Supply no Brasil , negou que o áudio do deputado Luis Claudio Miranda (DEM-DF), recebido por ele e divulgado na CPI da Covid por Luiz Paulo Dominguetti, tratasse da negociação de vacinas, como foi alegado. Segundo Carvalho, Dominguetti quer "aparecer".

"Eu recebi de outra pessoa, não diretamente do Luiz, não se refere a vacinas", disse Carvalho ao jornal O Globo. 

Ao ser questionado sobre a que se refere, o empresário afirmou que acredita "ser sobre os negócios dele nos EUA". "Não tem nada uma coisa com a outra", disse. Ele também contou que não tem relação com a Davati, dizedo que Dominguetti quer "aparecer".

CPI apreende celular de Dominguetti

Após Dominguetti reproduzir um áudio do deputado federal Luis Miranda, a CPI da Covid determinou a apreensão do celular do vendedor de vacinas.

Segundo informações da jornalista Ana Flor, da GloboNews, Miranda afirmou que o áudio dizia respeito à negociação de luvas cirúrgicas, não de vacinas.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), relevou que conversou com o deputado federal e este afirmou que o áudio era de 2020 e não tratava de imunizantes.

Os senadores governistas tentaram frear a apreensão do celular de Dominguetti e pediram que o telefone de Luis Miranda também fosse apreendido — a requisição foi negada.

Luiz Paulo Dominguetti, the representative of Davati Medical Supply, attends a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil July 1, 2021. REUTERS/Adriano Machado
Os senadores governistas tentaram frear a apreensão do celular de Dominguetti e pediram que o telefone de Luis Miranda também fosse apreendido — a requisição foi negada (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O que diz o áudio de Luis Miranda

"O que acontece, excelência, muita gente me ligava dizendo 'eu posso isso', 'eu posso aquilo', mas eu nunca quis avançar nessa ceara porque esse 'eu posso isso, eu conheço fulano' já tinha tido um processo todo doloroso dento do Ministério. Eu, particularmente, nem a Davati, queria vivenciar isso novamente. Agora, que eu tenho a informação que parlamentar tentou negociar busca de vacina diretamente com a Davati, eu tenho essa informação", afirmou Dominguetti à Humberto Costa (PT-PE).

Questionado por Humberto Costa (PT-PE) qual parlamentar teria sido, Dominguetti disse: "A informação que eu sei é um, inclusive, com áudio dele tentando negociar vacina em nome do Ministério [da Saúde]. Depôs aqui, fez acusações contra o presidente da República".

"O Luis Miranda procurou o senhor?", questionou Costa. E Dominguetti confirmou que a Davati foi procurada pelo deputado federal.

"O Cristiano (funcionário da Davati) me relatava que volta e meia tinha parlamentares o procurando e quem mais incomodava era o deputado Luis Miranda, o mais insistente com a compra, intermediação de vacinar. O Cristiane me enviou um áudio em que ele pede que seja feita uma live, o nome dele (...), que ele colocaria a vacina para rodar", revelou.

Dominguetti, então, reproduziu o áudio de Luis Miranda: "Então, irmão, o grande problema é, vou falar direto com o cara, o cara vai pedir toda a documentação do comprador, um comprador meu já está de saco cheio disso, vai me pedir a prova de vida antes e a gente não vai fazer negócio. Você sabe que eu tenho comprador e com potencial de pagamento instantâneo, na verdade ele compra o tempo todo lá, em quantidade menores, obviamente. Se o seu produto estiver no chão, tiver um vídeo, falar meu nome, 'Luis Miranda, tá aqui o produto', meu comprador entende que é fato, ok? E encaminha toda a documentação necessária, amarra, faz os contratos todos e bola pra frente. Eu não vou mais perder tempo com esse comprador, que desgastou muito, meu irmão, nos últimos 60 dias, é muita conversa fiada no mercado. Eu não me sinto nem a vontade, nem confortável (...). Eu não vou perder tempo, pode fazer uma live comigo, um facetime, um Skype, o que ele quiser, mostra a carga. Se quiser gravar um vídeo, grava um vídeo. Eu mando pro cara e, na hora, o cara fecha negócio, ele tem recorrência", disse em áudio supostamente enviado à Davati. No áudio, Luis Miranda não cita vacinas, fala apenas em "produto".

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