Após discurso, Lula critica Bolsonaro: “Política de destruição que envergonha os brasileiros”

Anita Efraim
·4 minuto de leitura
SAO BERNARDO DO CAMPO, BRAZIL - MARCH 10: Luiz Inacio Lula da Silva, Brazil's former president, puts on his face mask during a press conference after convictions against him were annulled at the Sindicato dos Metalurgicos do ABC on March 10, 2021 in Sao Bernardo do Campo, Brazil. Minister Edson Fachin, of the Federal Supreme Court, annulled on Monday the criminal convictions against former leftist President Luiz Inacio Lula da Silva on the grounds that the city of Curitiba court did not have the authority to try him for corruption charges and he must be retried in federal courts in the capital, Brasilia. The decision means Lula regains his political rights and would be eligible to run for office in 2022. (Photo by Alexandre Schneider/Getty Images)
Ex-presidente Lula fez críticas à condução da política ambiental por parte do governo brasileiro (Foto: Alexandre Schneider/Getty Images)
  • Lula criticou condução da política ambiental brasileira por parte de Jair Bolsonaro

  • Ex-presidente elogiou iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden

  • Para Lula, brasileiros estão envergonhados da atuação do país em relação ao meio ambiente

Logo após o discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Cúpula do Clima, o ex-presidente Lula criticou a atuação no Brasil na preservação da Amazônia. Segundo o petista, a política ambiental do atual governo é de destruição e envergonha os brasileiros.

“O Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia registrou em março novo recorde no desmatamento, de 216% a mais em relação a março de 2020. É o resultado de uma política de destruição que envergonha os brasileiros e ameaça o planeta; um legado trágico que haveremos de superar pela via da democracia”, escreveu Lula nas redes sociais.

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Lula elogiou as iniciativas do PT para combater as mudanças climáticas e destacou a Conferência de Copenhague, em 2009. “Apresentamos metas voluntárias, ambiciosas e factíveis de redução da emissão de gases.”

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No discurso, o próprio presidente Jair Bolsonaro ressaltou conquistas passadas do Brasil, algumas durante os governos petistas. “Temos orgulho de conservar 84% do nosso bioma amazônico e 12% da água doce da terra. Como resultado, somente nos últimos 15 anos, evitamos a emissão de mais de 7,8 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera. À luz de nossas responsabilidades comuns, porém, diferenciadas, continuamos a colaborar com os esforços mundiais contra a mudança do clima”, declarou Bolsonaro.

Elogios a Joe Biden

US President Joe Biden speaks during climate change virtual summit from the East Room of the White House campus April 22, 2021, in Washington, DC. - President Joe Biden on Thursday sharply ramped up US ambitions on slashing greenhouse gas emissions, leading new pledges by allies at a summit he hopes brings the world closer to limiting climate change. Putting the United States back at the forefront on climate, Biden told a virtual Earth Day summit that the world's largest economy will cut emissions blamed for climate change by 50 to 52 percent by 2030 compared with 2005 levels. (Photo by Brendan Smialowski / AFP) (Photo by BRENDAN SMIALOWSKI/AFP via Getty Images)
Joe Biden foi o segundo a discursar na Cúpula do Clima, após a vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris (Foto: BRENDAN SMIALOWSKI/AFP via Getty Images)

O petista elogiou a iniciativa do presidente norte-americano, Joe Biden, de reunir os líderes mundiais para discutir a questão do clima e comemorou o fim do “negacionismo científico” por parte dos Estados Unidos. Biden foi o segundo a falar na Cúpula do Clima, após a vice, Kamala Harris. 

“A iniciativa do presidente Joe Biden de reunir a Cúpula de Líderes sobre o Clima é coerente com o primeiro ato de seu governo, que foi o retorno dos EUA ao Acordo de Paris, encerrando um período de negacionismo científico e de isolacionismo político que ameaçava a todos.”

Lula ainda pediu que o Brasil volte ao “convívio das nações como um parceiro atuante na questão ambiental e climática, porque esta é a nossa vocação e porque já mostramos do que somos capazes”. O ex-presidente ainda afirmou que “entre 2004 e 2015, por exemplo, reduzimos em 79% o ritmo de desmatamento da Amazônia”.

Associação com a covid-19

O ex-presidente Lula ressaltou ainda que a Cúpula do Clima acontece em um momento grave, durante a pandemia da covid-19. “Tanto o aquecimento global como o surgimento do vírus são respostas da natureza às agressões continuadas do ser humano”, declarou.

“A mesma urgência que orienta a cúpula climática é absolutamente necessária para uma tomada comum de responsabilidades frente à pandemia. Está claro que também sobre essa emergência não haverá saídas isoladas; que nenhum país estará a salvo se todos não estiverem protegidos.”

Lula voltou a criticar a condução de Bolsonaro em relação à pandemia e disse que o Brasil jamais atuou de maneira responsável frente à covid-19. “Nosso povo sofre a maior tragédia de sua história, e o país é visto como ameaça global. Isso não nos impede, ao contrário, de renovar o chamado aos líderes mundiais para uma ação comum para tornar os meios de enfrentar a pandemia acessíveis a todos, ricos e pobres.”

“Vacinas, testes e medicamentos contra a Covid-19 devem ser considerados bens da humanidade. Os trilhões que salvaram o sistema financeiro na crise iniciada em 2008 devem agora salvar vidas humanas. E o FMI não pode exigir mais sacrifícios de países que enfrentam a crise.”