'Estavam esperando eu sofrer um aborto espontâneo em casa': Esta mãe votar 'sim' para o direito ao aborto na Irlanda

Sara C Nelson
Oonagh McDermott with her daughters Ellen and Tara






Oonagh McDermott diz que sua primeira gravidez foi "uma brutalidade".

Com 14 semanas de gestação, ela descobriu que o feto apresentava uma anormalidade fatal. O problema era anencefalia, uma condição em que os ossos do crânio não se formam corretamente, resultando em lesões graves ao cérebro do bebê.

O médico informou Oonagh que seu bebê quase certamente morreria ainda no útero, mas que eles não poderiam interromper a gravidez. O médico lhe disse: "Não há nada a fazer. Volte para casa e veja como você fica."

Oonagh, que vive em Edenderry, na Irlanda, disse ao HuffPost Reino Unido: "Dava para ver a cabeça malformada na tela. Todos os sinais vitais estavam muito fracos, e não havia função cerebral."

Mas os médicos não puderam abortar o feto, porque a interrupção da gravidez é ilegal na República da Irlanda se tiver sido registrado um batimento cardíaco fetal, a não ser que a vida da mãe esteja em risco, inclusive de suicídio.

"Me mandaram para casa e me disseram: 'Quando você achar que tiver saído tudo, volte ao hospital'. Estavam esperando eu sofrer um aborto espontâneo em minha própria casa", disse Oonagh.

Hoje mãe de duas filhas, na sexta-feira Oonagh vai votar "sim" à revogação da oitava emenda à Constituição. Se a medida for aprovada, o governo poderá mudar a lei e autorizar as mulheres na Irlanda a abortar legalmente nas primeiras 12 semanas de gestação. Se, após 12 semanas, a vida da gestante correr risco ou houver a possibilidade de dano grave à saúde dela, dois médicos poderão analisar se autorizam o procedimento.

A pena máxima para quem se submete a um aborto ilegal no país hoje é de 14 anos de prisão.

Oonagh McDermott, que tem 54 anos, vai fazer campanha e solicitar votos a favor do "sim" na sexta-feira, na esperança de que outras mulheres sejam poupadas de passar pela experiência devastadora que ela sofreu, que ela descreveu como "alguma coisa saída de um filme de terror".

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