Após foto viralizar, entidades movem ação de R$ 10 milhões contra XP e Ável por falta de diversidade

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Dos 111 assessores de investimentos da Ável, apenas 9 são mulheres. Foto: Reprodução
Dos 111 assessores de investimentos da Ável, apenas 9 são mulheres. Foto: Reprodução
  • Imagem com 100 funcionários tem praticamente apenas homens brancos jovens

  • Grupo quer que empresas criem plano de promoção de inclusão

  • Advogado afirma que este é um alerta ao mercado financeiro

Após uma imagem da equipe da corretora Ável Investimentos - formada quase exclusivamente de homens brancos e jovens - viralizar, entidades dos movimentos negro, feminista e de defesa dos direitos humanos protocolaram uma ação civil pública. A ação foi protocolada nesta quarta-feira (18) e tem como alvo também a corretora XP, à qual Ável é credenciada.

O grupo acusa as corretoras de falta de diversidade no corpo de funcionários. A ação pede indenização de R$ 10 milhões por dano social e moral coletivo e que as empresas cumpram uma série de medidas para aumentar a diversidade, segundo o portal UOL.

Na foto aparecem mais de cem pessoas na cobertura de um prédio. A empresa, que se apresenta como "o maior escritório de assessoria digital da XP", tem sede em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

O documento é assinado pelo Centro Santo Dias de Direitos Humanos e pelas Organizações Não-Governamentais (ONGs) Educafro e Visibilidade Feminina. A ação foi protocolada na 25ª Vara do Trabalho de Porto Alegre.

Em nota, a XP disse apenas que "a inclusão de pessoas negras na companhia e rede de parceiros é uma questão fundamental" e disse que tem metas internas para "aumentar a contratação, em todos os cargos, de pessoas negras, mulheres, LGBTQIA+ e PCDs". A Ável optou por não comentar.

A foto chamou atenção também por mostrar uma aglomeração e por quase nenhuma pessoa estar usando máscara.

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Dos 111 assessores de investimento da Ável apresentados no site da empresa, apenas nove são mulheres, o que representa pouco mais de 8%.

Ação quer que empresas sejam ativas na promoção de diversidade

Márlon Reis, advogado que representa as entidades na ação afirma que foto revela uma realidade cruel. "As pessoas imaginam que a discriminação só acontece por palavras ostensivas. Mas não é só isso. Esse é um caso exemplar, que mostra como o processo de recrutamento nas empresas pode ser cruel”.

"As empresas devem estar atentas, porque quando se abre o processo de recrutamento de forma aparentemente igualitária, na verdade, se exalta uma desigualdade que já há na sociedade”, afirma.

Além do pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos, a ação quer que a XP e a Ável elaborem um plano de diversidade, com metas e que busque combater a discriminação de raça, sexo, gênero e idade nos processos de recrutamento.

A ação pede, por exemplo, que:

  • A composição do quadro de contratados permanentes ou temporários tenha a mesma proporção de negros, mulheres e indígenas presente na sociedade brasileira;

  • Sejam disponibilizados cursos gratuitos e estágios remunerados para promover a formação e a experiência profissional desses colaboradores;

  • Haja cotas para pessoas idosas e pessoas com deficiência;

  • Seja estabelecido um prazo de 90 dias para apresentação de um plano de diversificação do quadro de colaboradores;

  • Seja definido um prazo de 90 dias para apresentação de plano de aceleração de carreira, para favorecer a diversidade em todos os níveis da gestão empresarial;

  • As empresas incorporem ao conselho de administração quatro novos membros, integrantes das comunidades sub-representadas;

  • Seja contratada uma auditoria externa para acompanhar a execução das medidas.

O advogado informou que, no caso de vitória, os R$ 10 milhões serão destinados ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD), que é vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e à Secretaria Nacional do Consumidor.

"Mas existe a possibilidade de se discutir também na Justiça a destinação para finalidades específicas. Vai depender do andamento do processo. Mas, mesmo nesse caso, as entidades não participam da governança desses recursos", diz.

Reis também avalia que a ação serve como um sinal ao mercado financeiro brasileiro sobre a necessidade de se atentar à agenda ESG (ou ASG, em português, referência a Ambiental, Social e Governança).

"O sistema financeiro foi desenvolvido para gerar desenvolvimento e equilíbrio social, e não para promover concentração de poder e riqueza, e o mercado financeiro não pode ficar de fora desse universo sustentável", disse.

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