Após mais de três meses, Pazuello será nomeado ministro da Saúde por Bolsonaro

Redação Notícias
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Brazil's interim Health Minister Eduardo Pazuello wears a protective face mask as he looks on before a national flag hoisting ceremony in front the Alvorada Palace, amid the coronavirus disease (COVID-19) outbreak, in Brasilia, Brazil June 9, 2020. REUTERS/Adriano Machado
Após três meses e meio como interino na Saúde, o general Eduardo Pazeullo assumirá o posto de ministro. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O presidente Jair Bolsonaro decidiu efetivar o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, como titular da pasta. A posse do general está prevista para as 17h da próxima quarta-feira, no Palácio do Planalto.

Pazuello, que é general do Exército, foi nomeado na condição de interino no último dia 3 de junho, há quase três meses e meio, mas assumiu o posto em 15 de maio, no lugar de Nelson Teich. O militar era secretário-executivo do ministério.

A atuação do ministro no comando da pasta vinha sendo reiteradamente elogiada por Bolsonaro, que dizia reconhecer no subordinado a capacidade de gestão. Ele chegou ao ministério após a demissão do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, em abril, sendo escolhido por Teich para ser seu número 2.

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Em reservado, outro integrante da cúpula do governo apontou o "excelente trabalho" do ministro interino como motivo para a efetivação. Segundo relatos de auxiliares palacianos, convites para o evento já começaram a ser distribuídos na Esplanada dos Ministérios.

Nas últimas semanas, segundo relatos, Bolsonaro iniciou uma ofensiva sobre os comandantes militares para convencê-los a efetivar o general. Nas conversas, ele ressaltou que o pior da pandemia já passou e que a atuação do militar foi satisfatória.

O fato de Pazuello ainda estar na ativa das Forças Armadas chegou a ser usado na pressão de parlamentares sobre o presidente Bolsonaro para o ministro fosse substituído. Ele é o único militar nesta condição entre os ministros e, até o momento, não anunciou se irá para a reserva, como defendem militares.

O Ministério da Saúde confirmou que o ministro será oficializado no cargo. A pasta não informou se, com isso, ele deve ir para a reserva.

MAIS MILITARES E CLOROQUINA

Inicialmente, Pazuello costumava dizer que ficaria apenas por 90 dias. O prazo, porém, encerrou em agosto. Dias depois, ele deixou oficialmente o comando da 12ª região militar, em Manaus, para onde dizia que pretendia voltar após o que define como "missão" no ministério.

No cargo como interino, Pazuello aumentou o número de militares em cargos de comando e até mesmo em postos estratégicos - foram ao menos 28 nomeados.

Também ampliou a oferta da cloroquina, medida rechaçada por especialistas, e chegou a retirar dados do total de casos da Covid-19 de painéis da pasta, o que levou órgãos de imprensa a organizar um consórcio para divulgar os dados.

Em julho, o general foi pivô de uma crise com o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que disse que o Exército se associou a um "genocídio" em alusão à condução do governo federal frente à epidemia da Covid-19. Após intermediação de Bolsonaro, os dois conversaram por telefone para aparar arestas.

Atualmente, o país registra 4,3 milhões de casos confirmados da Covid-19, com 132 mil mortes.

das agências O Globo e Folhapress