Após mais um dia de recorde de mortes, Bolsonaro critica lockdown: "Está matando o pessoal"

Ana Paula Ramos
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Presidente Jair Bolsonaro retira máscara
Presidente Jair Bolsonaro (AP Photo/Eraldo Peres)
  • Bolsonaro conversou com seus apoiadores e voltou a criticar o lockdown

  • "A política de fechar tudo está matando o pessoal", disse

  • Na semana passada, presidente distorceu fala de Angela Merkel sobre lockdown

Após mais um dia de recorde de média móvel de mortes pela covid-19, o presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar nesta terça-feira (30) a política de restrição de circulação decretada por alguns governadores. Em conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, o mandatário ouviu queixas de apoiadores. “A política de fechar tudo, né, está matando o pessoal mesmo", afirmou.

"Eu não fecho nada. Eu não fecho nada. A vida é tão importante quanto a questão do emprego", acrescentou.

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Na semana passada, Bolsonaro distorceu uma fala da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, sobre lockdown. Ele alegou que a chanceler recuou da medida porque sabia que os efeitos seriam mais graves que o próprio coronavírus. Na verdade, Merkel desistiu de promover o confinamento total durante o feriado da Páscoa devido ao pouco tempo de implementação das medidas.

O presidente tem repetidamente criticado a adoção de lockdown no país e chegou a argumentar que o confinamento é característico de “governadores de esquerda”, ignorando nações como Reino Unido e a própria Alemanha, lideradas por políticos de direita e que, ainda assim, aderiram à medida.

Araraquara decretou lockdown e colhe benefícios

No Brasil, algumas cidades também implementaram o sistema de lockdown. No interior de São Paulo, Araraquara optou pelo confinamento no fim de fevereiro, após registrar agravamento da pandemia com a circulação da nova variante do coronavírus.

Passado um mês, a cidade registrou diminuição de casos e internações, se levados em consideração os números do fim de fevereiro, e até mortes, em comparação com os registros do início de março.

Brasil vive maior colapso sanitário de sua história

Enquanto a vacinação não avança, a escalada da Covid-19 chegou ao ponto mais crítico no Brasil, deixando quase todos os estados à beira do colapso na saúde. De acordo com a Fiocruz, trata-se da maior crise sanitária da história do país.

Entre as 27 unidades da federação, 24 estados e o DF estão com ocupação de leitos de UTI acima dos 80%. Entre esses estados, 15 tem ocupação maior que 90%. Roraima (64%) e Amazonas (79%) são as únicas duas unidades da federação com índices mais baixos.