"Não quero ficar mais engessada, quero liberdade para falar", diz Marta Suplicy

Fátima Meira/Futura Press

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A senadora Marta Suplicy (MDB-SP) afirmou que pesaram na sua decisão de desistir de disputar a eleição e deixar seu partido o desânimo com a atividade parlamentar e a vontade de poder falar o que pensa. Ela deu entrevista nesta segunda (6) ao programa O É da Coisa, apresentado pelo jornalista Reinaldo Azevedo na rádio Band News.

Ela criticou o corporativismo no Senado, onde gasta "uma energia incrível para barrar retrocessos civilizatórios". Ela reclamou que, muitas vezes, tem de votar em medidas provisórias que sabe o que são, mas não sabe o que está embutido.

"Depois de dois meses, você descobre que tem coisa que não teria votado", afirmou a senadora, para quem sua casa legislativa "não é mais uma caixa de ressonância": "Você pode falar quantos discursos que não acontece nada. As votações acontecem de qualquer jeito, dependendo da orientação do governo". 

Marta não apontou nenhum evento específico que tenha influenciado a escolha, mas atribuiu sua decisão a uma somatória de acontecimentos que a fizeram perceber que o Legislativo "não vai para canto algum" e que "o país está virando muito mais conservador do que já era". 

Metade do tempo que passa no Congresso, diz a emedebista, "é para ficar barrando as coisas" que, segundo ela, são retrocessos.

"Todo partido tem uma agenda, que é uma agenda que engessa. Resolvi que não quero ficar mais engessada, quero ter liberdade para falar o que eu acho", comentou.

Ex-prefeita de São Paulo (2001-2004), Marta Suplicy afirmou que a melhor experiência de sua trajetória política foi no Executivo municipal. 

"É o cargo mais difícil que tem. Um dia é incêndio, o outro desabamento, greve. Mas é onde você realiza as coisas e vê."

A senadora deixou o PT, partido ao qual foi historicamente filiada, em 2015. O motivo: "A decepção, a percepção do que estava ocorrendo, que era a busca desenfreada para se manter no poder".

Marta Suplicy votou pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT) no Senado e afirma que, quando mudou para o MDB, pressentia que o segundo governo da petista seria "um desastre". Ela foi ministra da Cultura da ex-presidente em seu primeiro mandato, de 2012 a 2014. 

Ela contou que mantém, no entanto, "os mesmíssimos princípios" com que entrou no Partido dos Trabalhadores: "valores éticos e a questão dos direitos humanos".

Ainda sem planos para o futuro depois de fevereiro de 2019, quando acaba seu mandato, Marta Suplicy reafirmou que deseja continuar influenciando o debate público.