Após oitavo dia de protestos, sobe para 24 o número de mortos em manifestações na Colômbia

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Violência em manifestações deixou 24 mortos na Colômbia (Luis Robayo/AFP via Getty Images)
Violência em manifestações deixou 24 mortos na Colômbia (Luis Robayo/AFP via Getty Images)
  • Colômbia registrou na quarta-feira o oitavo dia seguido de manifestações contra reforma tributária

  • Confrontos nestes protestos já deixaram 24 mortos e mais de 800 feridos

  • De acordo com movimentos sociais, porém, o número de óbitos seria 31

A Colômbia registrou na última quarta-feira seu oitavo dia consecutivo de manifestações contra um projeto de reforma tributária no país. Em pouco mais de uma semana, foram 24 mortes resultantes de confrontos nestes protestos.

O número foi divulgado nesta quinta-feira pela Defensoria do Povo, órgão público de fiscalização do governo colombiano, que informou ainda que a polícia local seria responsável por 11 destes óbitos. Alguns movimentos sociais, no entanto, garantem que já são 31 mortos nas manifestações.

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O último óbito registrado foi o do estudante Lucas Villa Vázquez, de 37 anos. Ele fazia parte de um protesto pacífico na cidade de Pereira quando foi atingido por tiros vindos de dentro de uma camionete que passou pelo grupo. Outras pessoas ficaram feridas.

Segundo o relatório da Defensoria do Povo, mais de 800 pessoas ficaram feridas nos confrontos, e há ainda outros tantos desaparecidos.

No início da semana, o ministro da Defesa do país, Diego Molano, porém, foi enfático ao criticar os envolvidos nos protestos, que, segundo ele, são "premeditados, organizados e financiados por grupos dissidentes das Farc”.

People gather around candles and words on the pavement reading
"Por nossos mortos", escreveram com velas os manifestantes no chão de Cali (Luis Robayo/AFP via Getty Images)

Crise colombiana

O governo de Iván Duque apresentou no dia 15 de abril o projeto da reforma tributária ao Congresso, como medida para financiar os gastos públicos no país.

“É uma medida para dar estabilidade fiscal ao país, proteger os programas sociais dos mais vulneráveis e gerar condições de crescimento depois dos efeitos provocados pela pandemia de Covid-19", disse o presidente.

O projeto, porém, esbarrou na insatisfação da população, que considerou-o punitivo à classe média e inviável para uma sociedade que já vem sofrendo economicamente com a crise ocasionada pela pandemia.

Manifestantes acusam polícia de violência (AP Photo/Andres Gonzalez)
Manifestantes acusam polícia de violência (AP Photo/Andres Gonzalez)

Desde o dia 28 de abril, então, as ruas de diversas cidades do país foram tomadas pelas manifestações, que chegaram ao sexto dia na segunda-feira. Diante da pressão, Duque retirou no domingo a proposta e anunciou uma reformulação no projeto.

A atitude não acalmou os ânimos de boa parte da população, que seguiu nas ruas protestando contra o governo. A pressão foi tanta que o ministro da Fazenda, Alberto Carrasquilla, renunciou ao cargo na última segunda-feira. Ele foi substituído pelo economista José Manuel Restrepo.

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