Após polêmica de braçadeiras, Fifa obriga Bélgica a retirar palavra de camisa

Uniforme da Bélgica em parceria com o festival Tomorrowland (Foto: Adidas/Divulgação)
Uniforme da Bélgica em parceria com o festival Tomorrowland (Foto: Adidas/Divulgação)

O segundo dia da Copa do Mundo começou com a notícia de que Inglaterra, País de Gales, Bélgica, Dinamarca, Alemanha, Holanda e Suíça recuaram no uso das braçadeiras de capitão coloridas após ameaças da Fifa. Mas isso não foi a única coisa que precisou ser alterada no uniforme belga por pedido da principal entidade de futebol do mundo.

O CEO da Associação Belga de Futebol (RBFA) Peter Bossaert disse os Red Devils foram obrigados pela Fifa a esconder a palavra love (amor, em português) da camisa branca da seleção, que servirá como alternativa durante o Mundial.

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"É incompreensível. E não fomos consultados anteriormente", afirmou Bossaert.

A palavra ficaria em duas partes do colarinho da camisa, que foi lançada por Adidas e RBFA em parceria com o Tomorrowland, um dos principais festivais de música eletrônica do mundo. A camisa é primariamente branca e tem todos os detalhes, incluindo o logo da Adidas e o escudo da RBFA, com gráficos inspirados no festival.

De acordo com a Adidas, os gráficos da coleção LOVE são inspirados nos fogos de artifício do Tomorrowland e representam os valores de diversidade, igualdade e inclusividade partilhados pelo festival e pela federação belga.

A braçadeira de capitão

As seleções de Inglaterra, País de Gales, Bélgica, Dinamarca, Alemanha, Holanda e Suíça anunciaram em comunicado conjunto que não vão usar as braçadeiras de capitão coloridas em seus jogos do Mundial 2022, depois de a FIFA ter ameaçado que os capitães de equipe poderiam receber cartão amarelo por entrarem em campo com as cores da comunidade LGBTQIA+.

“A FIFA deixou muito claro que imporá sanções desportivas se os nossos capitães usarem as braçadeiras em campo”, refere a nota das federações.

“Não podemos colocar os nossos jogadores numa posição em que possam enfrentar sanções desportivas, incluindo cartões amarelos, por isso pedimos aos capitães que não tentem usar as braçadeiras nos jogos do Mundial”, seguiu a nota.

As seleções estavam dispostas a pagar multas, mas reconhecem que não podem sujeitar os jogadores a “receber um cartão amarelo ou até mesmo serem forçados a deixar o campo”.

“Estamos muito frustrados com a decisão da FIFA, que acreditamos ser sem precedentes - escrevemos à FIFA em setembro para informar sobre o nosso desejo de usar a braçadeira One Love para apoiar ativamente a inclusão no futebol, e não tivemos resposta”, conclui a nota.