Após postagem de Bolsonaro, Ministério apaga nota lamentando mortes no Jacarezinho

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Relatives of Cleiton da Silva de Freitas, 26, one of the 28 people killed during a police operation in Jacarezinho favela on May 6, is buried at the Inhauma Cemetery in Rio de Janeiro, Brazil, on May 8, 2021. - Police in Brazil faced outraged protests and a UN call for an investigation Friday after a raid on a Rio de Janeiro favela left 28 people dead -- some reportedly killed in cold blood. (Photo by Bruno KAIUCA / AFP) (Photo by BRUNO KAIUCA/AFP via Getty Images)
Parentes de Cleiton da Silva de Freitas, 26, uma das 28 vítimas da operação policial no Jacarezinho (Photo by Bruno KAIUCA / AFP) (Foto: BRUNO KAIUCA/AFP via Getty Images)
  • Ministério da Família, Mulher e Direitos Humanos fez publicação no dia seguinte à operação, que afirmava a necessidade de garantia da vida

  • O Ministério encabeçado por Damares Alves apagou a nota oficial após crítica de apoiadores de Bolsonaro

  • O presidente também usou as redes sociais para criticar tratamento dado pela mídia e pela esquerda aos mortos da operação

O Ministério da Família, Mulher e Direitos Humanos, comandado pela ministra Damares Alves, excluiu uma nota oficial em que se pronunciava sobre a chacina na comunidade do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, ocorrida na última quinta-feira (06). O texto, divulgado na sexta-feira seguinte à operação que resultou em 28 mortes, afirmava a necessidade de ações policiais, mas a também de se garantir a proteção da vida.

O posicionamento foi criticado por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nas redes sociais, que afirmam que todas as vítimas da operação são criminosos, com exceção do único policial vitimado. 

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O presidente Jair Bolsonaro também usou suas redes sociais para se posicionar. Em sua conta no Twitter, celebrou a operação e parabenizou os policiais civis que participaram da ação. Bolsonaro aproveitou para criticar a forma como as vítimas estão sendo tratadas por movimentos de direitos humanos, a “mídia” e a “esquerda” que, segundo ele, colocam os mortos no mesmo patamar que “cidadão comum, honesto, que respeita as leis e o próximo". 

"Ao tratar como vítimas traficantes que roubam, matam e destroem famílias, a mídia e a esquerda os iguala ao cidadão comum, honesto, que respeita as leis e o próximo. É uma grave ofensa ao povo que há muito é refém da criminalidade. Parabéns à Polícia Civil do Rio de Janeiro! Nossas homenagens ao Policial Civil André Leonardo, que perdeu sua vida em combate contra os criminosos. Será lembrando pela sua coragem, assim como todos os guerreiros que arriscam a própria vida na missão diária de proteger a população de bem. Que Deus conforte os familiares!", publicou. 

A operação ocorreu após a Polícia Civil emitir mandados de prisão para 21 pessoas acusadas de tráfico de drogas. Desses, três foram presos e outros três foram mortos. Além deles, outros três suspeitos foram presos. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB RJ, Álvaro Quintão, afirmou em entrevista que todos os assassinados pela polícia possuíam antecedentes criminais.