Após pressão de Aziz, representante da Davati admite saber de propina de US$ 1 por vacina

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Cristiano Carvalho, the representative of Davati Medical Supply looks on before a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil July 15, 2021. REUTERS/Adriano Machado
Segundo ele, o suposto pedido de propina foi relatado por Dominghetti em 12 de março; de acordo com depoimento, Cristiano disse que parecia existir dois caminhos para a venda de vacinas no Ministerio da Saúde (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
  • O representante da Davati no Brasil, Cristiano Carvalho, admitiu que soube do suposto pedido de propina em negociação de 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca com o Ministério da Saúde

  • Antes, o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), teve que questionar Cristiano por algumas vezes sobre as denúncias do suposto esquema

  • De acordo com depoimento, Cristiano disse que parecia existir dois caminhos para a venda de vacinas no Ministerio da Saúde

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, nesta quinta-feira (15), o vendedor representante da empresa americana Davati Medical Supply no Brasil, Cristiano Carvalho, admitiu que soube do suposto pedido de propina em negociação de 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca com o Ministério da Saúde.

"Primeira vez que veio diretamente a mim, o nome do Robero Ferreira Dias envolvido nisso foi, acredito eu, que no dia 12 de março, na minha vinda até aqui [Brasília]. Estávamos na Senah [ONG evangélica que participou das negociações]", disse Carvalho.

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O policial militar Luiz Paulo Dominghetti, que se apresenta como vendedor da Davati, denunciou à Folha de S. Paulo e, confirmou à CPI, no dia 1º de julho, que Roberto Ferreira Dias, ex-diretor de Logística da Saúde, pediu propina de US$ 1 por dose em um restaurante em Brasília, no dia 25 de fevereiro. Exonerado do cargo, Dias nega.

Antes de admitir que sabia do suposto pedido de propina, o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), teve que questionar Cristiano por algumas vezes sobre a reportagem da Folha de S. Paulo, cujo revelou as denúncias do suposto esquema. 

"Eu não participei do jantar. Tudo que ele [Dominghetti] estava dizendo ali eu não tinha certeza. Eu não podia confirmar que havia existido esse pedido de propina. Deixei claro até como colega que ele vir numa comissão como a dos senhores, com a presença de Policia Federal, para ele ter cuidado, certeza do que ele estava fazendo, para ser fidedigno", disse Cristiano.

Segundo ele, o suposto pedido de propina foi relatado por Dominghetti em 12 de março. De acordo com depoimento, Cristiano disse que parecia existir dois caminhos para a venda de vacinas no Ministerio da Saúde.

O primeiro deles via Roberto dias e o segundo por Elcio Franco, coronel da reserva e ex-secretário-executivo da Saúde da gestão do ex-ministro Eduardo Pazuello.

Luiz Paulo Dominguetti, the representative of Davati Medical Supply, and senator Omar Aziz attend a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil July 1, 2021. REUTERS/Adriano Machado
Segundo Cristiano, o coronel da reserva Helcio Bruno, do Instituto Força Brasil, disse a ele ter conseguido a reunião no Ministério da Saúde com o também coronel da reserva Elcio Franco (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Coronel teria promovido encontro

Mais cedo, Cristiano negou que tinha relação comercial com o Ministério da Saúde, que teria sido levado à reunião com a pasta por Dominguetti e o reverendo Amilton Gomes de Paulo, que negociavam a venda de vacinas da Astrazeneca.

Segundo Cristiano, o coronel da reserva Helcio Bruno, do Instituto Força Brasil, disse a ele ter conseguido a reunião no Ministério da Saúde com o também coronel da reserva Elcio Franco.

"Havia dois caminhos no ministério, aparentemente. Um era via Elcio Franco, e outro pelo Roberto Dias. O caminho que ele [Dominghetti] tentou via Roberto Dias aparentemente não prosseguiu por conta de algum pedido que foi feito, lá, segundo chegou para mim no primeiro momento como grupo do Blanco ou do Odilon", disse Cristiano.

"Insistência" do Ministério da Saúde

O vendedor disse à comissão que o coronel Blanco, mesmo que já não estivesse mais no Ministério, falava como um representante de Dias.

Mais cedo, Cristiano havia contado que foi procurado de forma insistente por Roberto Ferreira Dias, ex-diretor de logística do Ministério da Saúde. Segundo o depoente, o primeiro contato foi feito pelo coronel Blanco e, em 3 de fevereiro, ele recebeu diversas mensagens do então diretor. As datas contradizem o depoimento de Dias.

Dias teria sido indicado ao cargo no ministério pelo líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), de acordo com a reportagem com a denúncia de propina publicada pela Folha de S. Paulo e feita por Dominghetti.

Contato com Dominghetti era superficial

Questionado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da comissão, se o PM era de "sua confiança", o vendedor afirmou que Dominghetti não fazia parte do ciclo de amizades e que, até pouco tempo atrás, não sabia sequer que ele era PM da ativa. "Fiquei sabendo pela mídia".

O vendedor aparece em trocas de mensagens, obtidas no celular do PM, que mostram uma negociação informal e paralela do Ministério da Saúde com a Davati antes mesmo de a empresa apresentar proposta oficial ao governo.

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