Após pressão de Bolsonaro, Conitec adia relatório contra tratamento precoce

·2 min de leitura
BRASILIA, BRAZIL - SEPTEMBER 16: President of Brazil Jair Bolsonaro shows a box of chloroquine medicine during the ceremony in which Eduardo Pazuello takes office as Minister of Health amidst the coronavirus (COVID-19) pandemic at the on September 16, 2020 in Brasilia. Pazuello took over as interim minister on May 16 this year. Brazil has over 4.382,000 confirmed positive cases of Coronavirus and has over 133,119 deaths. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)
Presidente Jair Bolsonaro ficou irritado com parecer técnico da Conitec contra o chamado "tratamento precoce" (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)
  • Conitec votaria nesta quinta um relatório contra o uso do chamado "tratamento precoce"

  • Parecer do órgão técnico teria irritado Bolsonaro, que pressionou o Ministério da Saúde

  • Não há nova data para que relatório técnico seja votado

O governo federal adiou a análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) sobre o chamado “tratamento precoce”, isto é, o uso de medicamentos ineficazes contra a covid-19. A previsão era de que o órgão votaria nesta quinta-feira (7) um relatório sobre o uso dos remédios.

Segundo informações da rádio CBN, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), ficou irritado com as informações técnicas que constavam no documento e com a iminente posição do Conitec de criticar o “tratamento precoce”. Por isso, Bolsonaro pressionou o Ministério da Saúde por mudanças no relatório.

Leia também:

A pasta, então, afirmou que o grupo de especialistas que criou o relatório contra o tratamento precoce decidiu retirar o documento de pauta para aprimorar o relatório. À CBN, o Ministério da Saúde alegou que os especialistas pediram mais tempo para investigar publicações de novas evidências científicas sobre os medicamentos em análise.

O grupo é formado por mais de 20 especialistas, responsáveis por fazer o relatório sobre o “tratamento precoce”, defendido por Bolsonaro em diversas ocasião, incluindo a Assembleia Geral da ONU.

Membros do grupo ouvidos pela CBN se disseram surpresos que o tema tenha sido retirado da pauta, contrariando a versão do Ministério da Saúde. Eles ainda explicam que não há qualquer novidade sobre o uso de cloroquina ou outros medicamentos sem eficácia no tratamento da covid-19 que justificariam o adiamento do parecer.

Ainda não há uma nova data para que a votação aconteça.

Discurso na ONU

Segundo informações do jornal O Globo, o governo federal ficou preocupado com a repercussão negativa sobre o chamado “kit covid” poucas semanas depois de Bolsonaro defender o uso de medicamentos ineficazes contra a covid-19 na ONU.

“Desde o início da pandemia, apoiamos a autonomia do médico na busca do tratamento precoce, seguindo recomendação do nosso Conselho Federal de Medicina. Eu mesmo fui um desses que fez tratamento inicial. Respeitamos a relação médico-paciente na decisão da medicação a ser utilizada e no seu uso off-label. Não entendemos porque muitos países, juntamente com grande parte da mídia, se colocaram contra o tratamento inicial”, disse Bolsonaro durante o discurso.

O discurso foi criticado internacionalmente.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos