O 'sim' vence em referendo na Irlanda e mulheres terão direito ao aborto legal

Andréa Martinelli
Segundo pesquisa de boca de urna, 70% dos eleitores votaram a favor.

"Sim para o aborto legal".

Este foi o posicionamento de 70% da população irlandesa neste sábado (25). A população foi às urnas para decidir se as leis sobre aborto no país deveriam mudar ou não. A decisão pela mudança, tomada pelo voto popular, legaliza o procedimento e garante o acesso irrestrito ao aborto para as mulheres com até 12 semanas de gestação.

A informação é da pesquisa boca de urna do Irish Times/Ipsos MRBI. Os eleitores do país de forte tradição católica optaram por ampla margem -- 69% contra 32% --, mudar a constituição para tornar o aborto legal. Na capital Dublin, a escolha pelo "sim" se mostra significativa, com 77% dos votos, segundo o jornal Irish Times.

Os resultados oficiais ainda devem ser divulgados neste sábado (26), mas o porta-voz da campanha pelo "não ao aborto legal", já reconheceu sua derrota nesta manhã. "Não há nenhuma possibilidade que o texto [sobre a legalização do aborto] não seja adotado", declarou em entrevista à TV irlandesa RTE.

O país europeu tem atualmente uma das proibições mais rígidas do mundo à interrupção da gravidez. Segundo a 8ª emenda, um texto de 1983, o "o direito à vida do feto" é reconhecido, igualando os direitos de uma mulher grávida aos de um feto ainda no ventre.

A Lei só garante o acesso ao aborto caso a mulher esteja com perigo de vida real e iminente, inclusive sob risco de suicídio. Atualmente, uma irlandesa que decida interromper uma gravidez indesejada dentro do país pode ser condenada a até 14 anos de prisão.

O referendo define a anulação desta emenda, legaliza o procedimento e se transforma em um marco na trajetória de um país que, só duas décadas atrás, era um dos mais...

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