Após tomar posse no Senado, Damares se irrita com cobrança sobre crise Yanomami

“E quanto às acusações contra mim, só vou responder nos autos”, disse a ex-ministra dos Direitos Humanos.

Agora senadora, Damares Alves se irritou com repórter que pediu uma avaliação da atual situação do povo Yanomami no país - Foto: REUTERS/Adriano Machado
Agora senadora, Damares Alves se irritou com repórter que pediu uma avaliação da atual situação do povo Yanomami no país - Foto: REUTERS/Adriano Machado

Damares Alves (Republicanos-DF), tomou posse nesta quarta-feira (1º) no Senado e se irritou ao ser questionada sobre a situação dos Yanomami.

Antes da votação, a ex-ministra dos Direitos Humanos na gestão de Jair Bolsonaro (PL), chegou a circular pelo Congresso e foi cercada por aliados e bolsonaristas, mas no plenário do Senado ficou sozinha durante a votação para a presidência da Casa.

Após assumir o mandato no Senado, Damares se irritou com cobranças sobre a situação dos Yanomami e alegou que só vai responder na Justiça sobre as acusações que recaem sobre ela em relação à situação dos indígenas.

“O que você quer saber?”, questionou Damares, ao ser abordada por jornalistas do Estadão sobre como a ex-ministra avalia a tragédia do povo indígena.

“Os Yanomami vivem uma situação de calamidade há dezenas de anos”, comentou a senadora.

“Está na hora da gente, nesta casa, quem sabe, mudar o Orçamento da União, pra gente cuidar melhor dos índios Yanomami”, disse. “E quanto às acusações contra mim, só vou responder nos autos.”

A ex-ministra negou as acusações de omissão que recaem sobre sua gestão e chegou a dizer que as provas de suas ações no caso estariam em seu “Instagram” e em relatórios da pasta.

No entanto, a pasta, atualmente sob o comando do professor Silvio Almeida, realizou um levantamento que informa que a gestão Bolsonaro não atendeu as recomendações de órgãos internacionais, como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, sobre a saúde dos Yanomami.

Há pelo menos 22 casos em que o governo anterior omitiu violências ou recomendações feitas pela entidade. Os documentos analisaram informações de 2019 a 2022, época em que Damares esteve à frente da pasta.

Ainda segundo o relatório, em 2022, a pasta comandada por Damares até o fim de março chegou a destinar 70% da verba, que deveria ir para a saúde dos indígenas, ao táxi aéreo. O valor supera R$ 41 milhões.

O documento foi encaminhado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.