Aposentados que ganham o salário mínimo terão aumento percentual maior do que os que ganham acima do piso

Com o reajuste de 5,93% nas aposentadorias, pensões e auxílios do INSS, depois da divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 2022, beneficiários que recebem o teto previdenciário vão ter um aumento literal maior do que quem ganha o piso nacional, mas, percentualmente, abaixo do que aqueles que ganham o salário mínimo.

Isso acontece porque o piso nacional subiu de R$ 1.212 para R$ 1.302, R$ 90 a mais que representam um aumento de 7,42%. Enquanto isso, o valor máximo pago aos beneficiários foi corrigido em 5,93%, saindo de 7.087,22 para R$ 7.507,49, um aumento de R$ 420.

E a diferença ainda pode aumentar. Isso porque o piso nacional pode subir para R$ 1.320. O valor é previsto na proposta orçamentária de 2023 aprovada pelo Congresso Nacional, mas ainda precisa ser oficializado. O governo Lula, no entanto, avalia mantê-lo em R$ 1.302 pelo menos até maio. O recuo ocorre depois de o aumento do número de aposentados no fim de 2022 fazer os gastos com a Previdência crescerem acima do previsto.

Quando o salário mínimo subir para R$ 1.320, o aumento percentual na comparação com o piso nacional válido no ano passado será de 8,91%, 2,98 pontos percentuais a mais do que a correção de quem ganha do teto previdenciário.

Com a divulgação pelo IBGE do INPC, o Ministério da Previdência oficializou na quarta-feira (dia 11) o reajuste de aposentadorias, pensões e auxílios do INSS usará o índice, sem acréscimos, como referência, ou seja, sem ganho real acima da inflação.

O reajuste anual aos benefícios deve ser aplicado de forma retroativa a 1º de janeiro de 2023, de acordo com a portaria interministerial publicada pelos ministérios da Previdência Social e da Fazenda no Diário Oficial da União desta quarta-feira (dia 11).

Isso quer dizer que os salários de dezembro, pagos em janeiro, seguem os valores válidos no ano passado. Os segurados começam a receber o reajuste na folha de janeiro, que será paga de 1º a 7 de fevereiro para os que ganham acima do piso nacional, de acordo com o final do cartão de pagamento (antes do traço). Os que ganham o salário mínimo começarão a receber antes, ainda em 25 de janeiro.

O reajuste completo, no entanto, vale apenas para quem já estava aposentado ou recebendo pensão em 2022. Quem passou a receber o benefício no ano passado não sofreu integramente as perdas inflacionárias do ano sobre seus benefícios. Por isso, tem direito a percentuais de reajuste escalonados, que variam de acordo com o mês de concessão da aposentadoria, da pensão ou do auxílio.