Aposta de Bolsonaro para reeleição, Auxílio Brasil não surte efeito até o momento

Jair Bolsonaro teve variação negativa entre beneficiários do Auxílio Brasil, assim como Lula (Foto: Mateus Bonomi/Anadolu Agency via Getty Images)
Jair Bolsonaro teve variação negativa entre beneficiários do Auxílio Brasil, assim como Lula (Foto: Mateus Bonomi/Anadolu Agency via Getty Images)

O aumento do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 foi uma tentativa do presidente Jair Bolsonaro (PL) de impulsionar a campanha à reeleição. No entanto, números apresentados pela pesquisa Genial/Quaest mostram que, ao longo do primeiro mês do benefício turbinado, os efeitos não foram sentidos de forma significativa.

Entre os eleitores que recebem Auxílio Brasil, tanto Lula (PT) quanto Bolsonaro tiveram variação negativa. A do petista, acima da margem de erro, de três pontos percentuais (de 57% para 54%), enquanto a do atual presidente foi dentro da margem de erro, com dois pontos a menos, com 25%.

Cresceu o número de beneficiários que pretendem votar em outros candidatos: de 6% no levantamento anterior para 10% no mais recente. O número dos que recebem o auxílio e querem anular o voto ou não sabem em que votam aumentou de 9% para 11%.

Mesmo com o aumento do Auxílio Brasil no último mês, a capacidade de pagar contas do brasileiro, de forma gerou, piorou nos últimos 3 meses: 51% dos entrevistados apresenta mais dificuldades. No levantamento anterior, de 17 de agosto, o índice era de 48%

Entre os beneficiários do programa social, o aumento da dificuldade de sanar as dívidas foi expressiva, com crescimento de seis pontos percentuais, chegando a 57%, mesmo o valor de R$ 600.

Responsável pelo Auxílio

Outra má notícia para Jair Bolsonaro é que caiu o índice de brasileiros que o veem como responsável pelo aumento do valor do benefício. Em 17 de agosto, 58% entendiam que o presidente da República era protagonista na mudança, índice que caiu para 51%.

Os mesmos sete pontos mudaram para o Congresso Nacional, entendido como principal responsável por 16% dos entrevistados.

Além disso, parte expressiva da população, 66%, sabe que o Auxílio Brasil voltará a ser de R$ 400 em 2023 – número que aumentou sete pontos percentuais. O índice é ainda maior entre os beneficiários e chega a 77%.

Há duas semanas, os eleitores que não sabiam da volta do valor menor eram 41% e, agora, são 33%.

Os eleitores foram questionados se, sabendo do aumento, as chances de votar em Bolsonaro aumentam, diminuem, ou são indiferentes.

  • Chances aumentam: 22% (queda de 2 pontos percentuais)

  • Não faz diferença: 41% (queda de 3 pontos percentuais)

  • Chances diminuem: 35% (crescimento de 7 pontos percentuais)

Promessa sem previsão no orçamento

Ao longo da campanha eleitoral, os candidatos opositores de Jair Bolsonaro reforçam que o auxílio no valor de R$ 600 tem prazo para acabar: o fim do ano.

O presidente insiste que o novo valor será mantido. No entanto, no orçamento que deve ser enviado pelo governo federal nesta quarta-feira (31), a previsão é de um empenho de valor capaz de pagar R$ 400, não R$ 600.

A empresários, Bolsonaro afirmou que o dinheiro utilizado para manter os R$ 600 será o de venda de estatais.