Apps como Rappi e iFood reduzem taxas e ofertam crédito para evitar falência de bares e restaurantes

Raphaela Ribas
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Com o agravamento da pandemia e o aumento das medidas de restrições de funcionamento, os aplicativos de entrega estão criando pacotes de medidas para ajudar bares, lanchonetes e restaurantes. As ações incluem reduções de taxas cobradas, adiantamento no pagamento das vendas e até empréstimo. Além do socorro, elas visam a sustentar o setor, que ainda não se reergueu do baque do ano passado e hoje se apoia no delivery.

Até agora, foram mais de 300 mil estabelecimentos fechados no país e um milhão de postos de trabalho fechados. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) projeta que mais 40 mil possam ter o mesmo fim nos próximos meses, se não houver ajuda.

O Rappi anunciou na segunda-feira que vai disponibilizar um fundo de R$ 100 milhões para crédito aos restaurantes, antecipar o repasse das vendas de 14 para sete dias, isentar taxas por 90 dias para novos parceiros e criar um fundo de marketing para oferecer mais cupons de desconto.

Para os clientes, o aplicativo vai oferecer gratuitamente, por 30 dias, o Rappi Prime, o serviço premium por assinatura, que tem frete grátis e descontos.

— As principais queixas dos restaurantes são queda no faturamento e dificuldade de acesso a crédito. O empréstimo do Rappi pode ser solicitado por qualquer restaurante parceiro, novo ou atual. O limite, juros e outros detalhamentos serão analisados individualmente — explica o diretor regional do Rappi para o Rio, Guilherme Mynssen.

No início do mês, o iFood também implementou medidas de socorro para este ano. Para os restaurantes que operam com a logística da plataforma, a taxa de entrega foi reduzida de 23% para 18%, e para os restaurantes que atuam com entrega própria, as taxas passaram de 12% para 11%. As reduções são automáticas e vão até o fim deste mês.

A empresa também aderiu ao repasse antecipado das vendas pelos próximos três meses e vai disponibilizar este ano mais R$ 500 milhões em linhas de crédito aos restaurantes, com taxas e condições especiais.

E, em fevereiro, o Uber Eats zerou a taxa para pagamentos diários para os restaurantes parceiros e tirou a cobrança de pedidos para quando o cliente busca a comida. Ainda trouxe de volta a opção de doar R$ 2 aos restaurantes favoritos, além de reforço nas ações de marketing.

Para o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, as medidas fazem diferença no caixa dos pequenos negócios. Contudo, ele defende que os prazos com redução ou isenção de taxas sejam maiores, uma vez que os comerciantes precisam de fôlego para fluxo de caixa e, numa via de mão dupla, são fundamentais para o crescimento das plataformas.

Com o isolamento, o mercado de delivery cresceu, sendo muitas vezes a única opção de restaurantes. Segundo a Abrasel, a quantidade de empresas que usam aplicativos de entrega triplicou no último ano: hoje são cerca de 200 mil.