Apreensão de armas de fogo pela polícia do Rio tem queda de 23% no primeiro semestre

Giampaolo Braga
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Determinação do Supremo Tribunal Federal restringiu a realização de operações policiais no estado durante a pandemia

A apreensão de armas de fogo pela polícia do Rio teve queda de 23% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2019. A redução na retirada de fuzis das mãos de criminosos, porém, foi ainda maior: entre janeiro e junho de 2020, o número de armas de guerra apreendidas caiu 41%, quando comparada com os primeiros seis meses do ano passado. Em junho, o tráfico perdeu apenas quatro fuzis no estado, diminuição de 90% em relação ao mesmo mês de 2019. Os dados foram divulgados na quinta-feira pelo Instituto de Segurança Pública (ISP).

Os quatro fuzis apreendidos tornam junho deste ano o segundo pior mês para o índice na série histórica do ISP — desde 2007 — atrás apenas de dezembro de 2007, quando foram três. Desde 5 de junho, está em vigor uma determinação do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), restringindo a realização de operações policiais no estado durante a pandemia. De acordo com a Secretaria estadual de Polícia Civil e a Polícia Militar, a redução nos números de apreensões de armas são reflexo das medidas de enfrentamento ao coronavírus.

A queda na retirada de fuzis das ruas, porém, já vinha desde o início do ano. Todos os primeiros cinco meses de 2020 tiveram diminuição na apreensão desse tipo de armamento, na comparação com 2019. O mesmo ocorreu em relação ao total de armas apreendidas.

Das 39 Áreas Integradas de Segurança Pública (Aisps) do estado — que ocupam o território equivalente ao de um batalhão da Polícia Militar — 23 experimentaram queda na quantidade de fuzis apreendidos no primeiro semestre deste ano. Alguns casos chamam atenção, como a área do 16º BPM (Olaria), que engloba o Complexo do Alemão. Lá, a redução no número de armas de guerra retiradas das ruas foi de quase 88%, passando de 33 fuzis entre janeiro e junho de 2019 para quatro no mesmo período de 2020.

Na Aisp 18, que corresponde à área do batalhão de Jacarepaguá — outra área conflagrada, com guerras constantes entre facções do tráfico e entre traficantes e milicianos, mesmo durante a quarentena — a diminuição na apreensão de fuzis foi de 86% no primeiro semestre. Nos primeiros seis meses de 2019, a polícia retirou de circulação ali 22 fuzis, uma média de quase um por semana; este ano, foram três apreensões no primeiro semestre, ou uma arma tirada das mãos dos criminosos a cada dois meses, em média.

Não só os fuzis tiveram redução nas apreensões. Houve queda no número de pistolas e revólveres apreendidos, tanto no acumulado do primeiro semestre quanto no mês de junho.

A PM alega que retirou de circulação neste semestre 3.430 armas de fogo no estado, entre as quais 153 fuzis.

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