Biden tem aprovação de só 33%, e democratas não querem que ele seja candidato à reeleição, diz pesquisa

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A quatro meses das eleições legislativas que definirão qual partido terá a maioria no Congresso dos Estados Unidos pelos próximos dois anos, o presidente Joe Biden enfrenta maus bocados. Apenas um terço dos eleitores americanos aprova o trabalho do mandatário de 79 anos, e a hesitação é alta até mesmo entre seus próprios aliados: 64% dos democratas acreditam que ele não deve ser candidato à reeleição em 2024.

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Os números fazem parte de uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira pelo New York Times, em parceria com o Siena College, a primeira da campanha para o pleito de 8 de novembro, quando um terço dos assentos do Senado e todos os da Câmara vão à votação. Com a inflação em alta, uma pandemia que parece não ter fim e uma agenda não raramente paralisada pelos próprios democratas, apenas 13% dos americanos afirmaram que Biden, o pleiteante à reeleição mais fraco em décadas, guia o país pela direção certa.

O desagrado não é restrito a um grupo etário ou racial. Também não se restringe a subúrbios, áreas urbanas ou rurais, e é um ponto raro de consenso entre democratas e republicanos, entre as costas e o interior do país. Biden está no olho do furacão por ocupar o Salão Oval, mas o levantamento divulgado nesta segunda mostra também que o pessimismo e a desconfiança são grandes com os dois partidos que se intercalam no comando da Casa Branca.

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A pesquisa perguntava em quem os eleitores votariam em 2024 se só tivessem duas opções: Biden e o ex-presidente Donald Trump. Cerca de 10% dos entrevistados afirmaram que não planejam apoiar nenhum dos dois, percentual que há dois anos, às vésperas da eleição de 2020, era menos de 5%.

As estatísticas atuais se assemelham às do pleito de 2016, quando Trump derrotou Hillary Clinton na disputa pela Presidência. Se os democratas estão contados para perder o controle da Câmara e do Senado em novembro, contudo, devem ter uma vantagem se a disputa de 2020 se repetir quatro anos depois: Biden teria 44% do voto popular e Trump, 41%. Como há um Colégio Eleitoral, contudo, não está claro se isso seria suficiente para dar mais um mandato ao atual presidente.

A popularidade de Trump e Biden entre a população geral é idêntica, de apenas 39% — sinal da grande polarização nos EUA. Muitos eleitores independentes e uma minoria de republicanos, contudo, demonstraram grande desconforto com os eventos de 6 de janeiro de 2021, quando uma turba de apoiadores do então presidente invadiu o Capitólio e interrompeu a sessão conjunta que sacramentaria a vitória de Biden.

Há um ano o incidente é investigado por uma comissão bipartidária da Câmara — são sete democratas e dois republicanos —, que apresenta há cerca de um mês suas descobertas em audiências públicas. Um dos objetivos do grupo crítico a Trump era justamente mostrar o grau de envolvimento do ex-presidente com o incidente e convencê-los de que o republicano é um risco para a ordem democrática.

Isso não significa que o apoio dos independentes é automaticamente transferido para a outra legenda: mais de dois terços deles desaprovam o governo, com quase metade afirmando desaprová-lo “fortemente”. Entre os próprios democratas, a taxa de aprovação de Biden é de 70%, relativamente baixa para um presidente às vésperas da eleição legislativa, que funciona como um referendo parcial sobre quem está no poder.

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A rejeição é particularmente alta entre os mais jovens: 94% dos eleitores democratas com menos de 30 anos afirmaram que prefeririam um candidato diferente. A professora de pré-escola Nicole Farrier, de 38 anos, expressou o sentimento predominante:

— Vou dizer: Quero sangue novo — afirmou a mulher, que votou em Biden em 2020 esperando que ele fizesse mais para sarar as fissuras do país. — Estou cansada dessas pessoas velhas no comando. Não quero alguém que com um pé na cova — completou, afirmando estar preocupada com o aumento do custo de vida.

A idade de Biden foi citada por 33% dos democratas que preferem outro candidato como motivo para a mudança, enquanto outros 32% citaram seu desempenho na Casa Branca. Razões secundárias incluem o fato de o presidente não ser suficientemente progressista (10%) e dúvidas sobre sua capacidade de vencer nas eleições gerais (4%).

Não há, contudo, um nome claro para substituí-lo. Outras pesquisas, como as do instituto YouGov e Harris, mostram que o presidente se daria melhor que sua vice, Kamala Harris, nas eleições gerais. A comparação é um lembrete de um dos mesmos motivos pelo qual Biden derrotou Bernie Sanders pela candidatura democrata há dois anos: ele não é visto como demasiadamente progressista por muito eleitores em estados-pêndulo.

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Pode ser que um novo nome desponte nos próximos dois anos, mas até agora Biden é o favorito e deixa claro que tem planos de concorrer. E toda a hesitação democrata parece se dissipar diante da perspectiva de uma repetição da disputa de 2020: contra Trump, 92% dos eleitores do partido afirmaram que apoiariam o atual ocupante do Salão Oval.

Os tópicos que o eleitorado considera mais importante, no entanto, coincidem com aqueles que vem dando mais dor de cabeça à alta cúpula do governo. O desemprego e a economia são os problemas mais sérios para 20% dos eleitores, com a inflação e o aumento de vida em um próximo segundo lugar, citado por 15% dos entrevistados.

Mais de três quartos dos eleitores disseram que a economia é “extremamente importante”, mas apenas 1% afirmou que as condições atuais são excelentes. Ao NYT, a democrata Kelly King, funcionária de uma fábrica em Indiana, disse esperar que seu partido perca as eleições de novembro para uma correção de curso.

— Nós gastávamos US$ 200 por semana só para sair e nos divertir ou para comprar mais comida, se precisássemos. Hoje não podemos nem mais fazer isso (...). Só compramos o que precisamos — disse ela, que está afastada do trabalho devido a um problema nas costas. — Sinto que ele [Biden] não fez o que é capaz como presidente para ajudar o povo americano.

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Um em cada 10 eleitores nomeou o estado da democracia americana e a divisão política como os assuntos mais urgentes — divisão similar aos que citaram políticas para o controle de armas, após semanas de ataques a tiro dominando os noticiários. As medidas mais duras defendidas pela Casa Branca, contudo, esperam na resistência de quadros mais moderados do partido, como o senador Joe Manchin, da Virgínia Ocidental.

Manchin foi o principal responsável por barrar o plano socioambiental de Biden, forçando a Casa Branca a reduzi-lo de US$ 6 trilhões para US$ 2,2 trilhões e cortar o principal mecanismo que financiaria a transição verde americana. O senador, mesmo assim, não aceitou o plano.

Como os democratas têm uma maioria simples, na Casa, o apoio de Manchin é fundamental. Durante os últimos meses, o senador, que tem fortes elos com o lobby dos combustíveis fósseis, vêm trabalhando de perto com o líder da maioria, Chuck Schumer, senador nova-iorquino, para chegar a um acordo para cortar o preço de remédios e aumentar a abrangência do Medicaid, o programa público de saúde que assiste as famílias de baixa renda.

Os detalhes sobre energia e a reforma fiscal que so democratas desejam implementar para custear o pacote ainda não estão finalizados, mas os democratas esperam que as arestas sejam aparadas ainda nesta semana. O objetivo é aprová-lo até o recesso que começa em 8 de agosto, mirando nas eleições de novembro.

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